Fênix
Teté Bezerra diz que PMDB superou 'Era Zé do Pátio' e quer palanque forte para Dilma em Mato Grosso
Deputada disse que novo Diretório Municipal não têm 'guetos' e criticou aproximação entre PR e oposição no plano estadual
04 de Fevereiro de 2014, 15h39
A deputada estadual e presidente do diretório municipal do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) considerou superada o que chamou de crise da 'Era Zé do Pátio' em Rondonópolis. A declaração foi dada durante entrevista exclusiva concedida nesta semana ao site Gazeta MT. Além de falar sobre o quadro partidário no município, Teté, que também preside a Fundação Ulysses Guimarães em Mato Grosso, fez um balanço do quadro nacional e do processo visando as eleições deste ano.
Teté foi eleita no final do ano passado para presidir o diretório municipal com a difícil missão de reagrupar e restabelecer a identidade do partido, que ainda é o maior em número de filiados e têm a maior bancada na Câmara Municipal de Rondonópolis. "Estamos num momento de retomada e, como a Fênix da mitologia, renasceremos ainda mais fortes", diz ela.
A comparação com o pássaro mitológico que ressurge das próprias cinzas não é um exagero retórico. O PMDB de Rondonópolis de fato quase implodiu nos últimos anos devido aos confrontos entre o então prefeito José Carlos do Pátio e a direção regional, presidida pelo esposo de Teté, o deputado federal Carlos Bezerra. O partido dividiu-se em grupos rivais e, por mais de três anos, viveu sob o comando de uma direção provisória nomeada pela executiva estadual. Para piorar, José Carlos do Pátio foi cassado pela Justiça Eleitoral antes de concluir o mandato e, enfraquecido, o PMDB foi arrastado para uma mal sucedida aliança com o PR na eleição municipal de 2012. Zé do Pátio, como o ex-prefeito é conhecido, acabou indo para o Solidariedade (partido criado no ano passado), deixando ao PMDB a maior parte do ônus de sua polêmica gestão.
Ao falar sobre este período Teté diz que a chamada 'Era Zé do Pátio' foi um período ruim na história do PMDB. Apesar de considerar injusta a cassação do ex-prefeito, ela condena a forma como ele se relacionou com o partido.
"Sou contra a conduta dele como militante partidário, mas já viramos a página e superamos isso internamente. Agora estamos todos empenhados na construção desse novo PMDB, sem guetos ou grupos fechados. O nosso diretório voltou a ser aberto e a meta principal é a unidade", afirma.
Eleições e futuro de Silval
Paralelo ao trabalho de 'reconstrução' do diretório municipal, Teté Bezerra também participa das discussões envolvendo a sucessão do governador Silval Barbosa (PMDB). A expectativa é formalizar uma aliança com as legendas apoiam o governo estadual e federal em Mato Grosso. O PMDB abriu mão de indicar o 'cabeça' da chapa, que será escolhido após uma pesquisa qualitativa já encomendada. Porém, o partido deverá ficar com a indicação do candidato a senador ou o vice do grupo.
O nome de Teté é cogitado, caso o PMDB fique mesmo com a indicação do candidato a vice-governador. Se a escolha for pelo senado, os mais cotados são o governador Silval Barbosa e o deputado Carlos Bezerra.
"O Silval é o candidato natural do partido e sua permanência ou não no Governo é uma questão de foro pessoal. Sinto nele uma disposição de continuar no cargo. Temos hoje cerca de sete bilhões de reais sendo investidos em projetos como o MT Integrado, o Prodetur e a Copa do Mundo. São ações que estão transformando Mato Grosso e que o governador tem acompanhado de perto, até para garantir a conclusão. Isso é importante", destaca.
Teté Bezerra ressalta também a importância de manter a unidade da base aliada e garantir um 'palanque robusto' para a presidente Dilma no estado. Indagada sobre as negociações entre o PR com o grupo que apoia a pré-candidatura do senador Pedro Taques (PDT), ela disse ver incompatibilidade numa possível aliança.
"O PR tem um entendimento claro sobre a necessidade de reelegermos a presidente Dilma e o Pedro Taques não se comporta com um aliado no senado e nem nos discursos que faz como pré-candidato. Isso é um complicador, já que dificilmente a presidente subiria no palanque de alguém que a critica de forma sistemática e até injusta", diz Teté.
Temer e Dilma
Durante a entrevista ao GazetaMT, Teté disse que o PMDB já tem como certa a repetição da dobradinha Dilma/Temer nas eleições deste ano. No entanto, o partido quer discutir melhor a participação no próximo Governo e deseja retomar seriamente a discussão sobre as 'Grandes Reformas' - com destaque para as áreas tributária e fiscal.
"No período da Ditadura Militar houve uma concentração imensa dos recursos nas mãos da União e os governos democráticos, por motivos diversos, não corrigiram isso. Há uma relação perversa em que os municípios, que é onde as pessoas vivem, ficam com a menor fatia da arrecadação", afirma.
Na opinião de Teté, o Governo Federal deve ficar responsável pelas relações internacionais, pelas obras estratégicas e pelos assuntos que envolvem a segurança da nação. "Não há sentido termos técnicos em Brasília decidindo onde será construído um PSF, uma escola ou uma unidade do SAMU. As prefeituras devem ter recursos e autonomia para decidir essas questões", avalia.