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Cristovam crítica falta de interesse de governantes e deverá apoiar Eduardo Campos para presidente
Senador do PDT esteve em Rondonópolis no sábado e defendeu mobilização popular em defesa da federalização do ensino básico
04 de Março de 2013, 07h41
O senador Cristovam Buarque (PDT) completou 69 anos no mês passado e, como ocorre com os grandes intelectuais, parece ainda melhor e mais lúcido com o passar do tempo. No último sábado (02) ele esteve em Rondonópolis para uma palestra que reuniu educadores, lideranças políticas e simpatizantes. A visita fez parte da cruzada nacional que ele trava há anos em defesa da federalização do ensino, mas Buarque não se furtou a falar também de outros temas - como a sucessão presidencial e o polêmico retorno do senador Renan Calheiros (PMDB/AL) à presidência do Senado.
A proposta de federalizar a Educação Básica continua sendo a bandeira principal de Buarque. Ele que já havia levado o assunto para a disputa presidencial de 2006, espera retomar a discussão nas eleições de 2014. O senador já descartou a possibilidade de voltar a concorrer à presidência, mas antecipa que seu apoio será oferecido ao candidato que encampar a proposta. O preferido dele é o atual governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos.
"Tenho conversado muito com ele. O Eduardo Campos já manifestou interesse em adotar a proposta de federalização e tudo indica que terá nosso apoio", revelou Buarque.
O senador do PDT já fez os cálculos e garante que a proposta é factível. Segundo ele, com cerca de 6,4% do orçamento da União é possível revolucionar a Educação Básica- garantindo melhor remuneração aos professores e dando às escolas uma estrutura de qualidade e padronizada, semelhante ao que ocorre hoje com os bancos, institutos e universidades federais.
Mas se o investimento é importante e há meios de concretizá-lo, porque a União ainda resiste à federalização do ensino básico? A resposta, diz Cristovam Buarque, está na falta de interesse dos governantes em assumir e resolver o problema.
"O Governo se interessa pelas universidades porque elas dão votos. Infelizmente nem Lula e nem Dilma mostraram disposição em assumir o ensino básico. Eles não querem problemas. Precisamos aprofundar a discussão e investir na mobilização popular para mudar isso", disse ele em entrevista ao GazetaMT.
Renan
Durante a visita a Rondonópolis, Cristovam Buarque falou também sobre a recente eleição do peemedebista Renan Calheiros para a presidência do Senado. Com um histórico recente marcado por escândalos e ainda sob risco de ser cassado por crimes que estão sob investigação, Calheiros é uma espécie de antítese de Buarque - que, além de referência no setor Educacional, também é reconhecido pela condução ética de sua carreira política.
Indagado por jornalistas, Buarque mostrou-se generoso com o novo presidente do Senado. Ele lembrou que Calheiro adotou algumas medidas moralizantes - como a eliminação de cargos comissionados e o fim do pagamento dos 14º e 15º salário para os parlamentares.
"Até aqui ele tem adotado ações que são positivas e isso precisa ser levado em consideração. Acho que devemos analisá-lo pelo que será feito durante sua gestão na presidência", diz.
A inesperada 'defesa' de Calheiros, surpreendeu alguns jornalistas que quiseram saber se Cristovam estava sugerindo que a população esqueça o passado do peemedebista.
"O passado não se esquece e nem se apaga. Mas é preciso estar atento no presente e saber reconhecer os avanços", defendeu.