sem investigação

Vereadores reprovam abertura de nova CPI contra prefeita de Pedra Preta

O pedido de investigação foi feito pela empresária Eva Mariusa de Camargo, que acusa a prefeita de não pagar aluguéis e ocupação irregular

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04 de Março de 2014, 08h47

Vereadores reprovam abertura de nova CPI contra prefeita de Pedra Preta
Vereadores reprovam abertura de nova CPI contra prefeita de Pedra Preta

Os vereadores Laudir Martarello (DEM), Valteir Rodrigues Gomes (PMDB) e Iraci Ferreira de Souza (PROS) votaram contra a constituição da CPI - Foto GazetaMT

Os vereadores da cidade de Pedra Preta reprovaram a criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a conduta da prefeita Mariledi Coelho (PDT). O pedido de investigação contra Mariledi foi feito pela empresária Eva Mariusa de Camargo, que acusa a prefeita de não pagar aluguéis e ainda promover a ocupação indevida de um prédio de sua propriedade, que é utilizado como sede da secretaria de Ação Social do município, além de funcionar como creche.

Por 3 votos contra a instauração da Comissão e 6 a favor, o pedido de investigação foi arquivado, pois seriam necessários que pelo menos 8 dos 11 vereadores do Parlamento da pequena cidade votassem favoráveis à criação da CPI.

O assunto foi bastante debatido entre os vereadores e, apesar de todos concordarem que a prefeita está agindo errado no caso citado, os vereadores Laudir Martarello (DEM), Valteir Rodrigues Gomes (PMDB) e Iraci Ferreira de Souza (PROS) votaram contra a constituição da CPI para investigar a conduta da prefeita.

"Esse processo encontra-se sub-júdice e com ordem de despejo contra a prefeitura. O acatamento da denúncia e posterior afastamento da prefeita não resolveria nada. Na Justiça, se resolve mais rápido e com eficiência o caso", justificou o vereador Laudir Martarello.

A defesa de Laudir foi contestada pelo também vereador Semi Mendes de Freitas (PR), que disse entender ser obrigação dos vereadores acatarem a denúncia e constituírem a CPI. "A denúncia tem que ser como um protocolo num órgão público, ou seja, tem que ser dado para quem procura e quer protocolar um documento. Agora, se tem ou não procedência o teor da denúncia, não é isso que temos que ver aqui. O que eu entendo é que a prefeitura deve pagar o aluguel, comprar o prédio ou desocupá-lo. Não pode é achar que é dono dele e gerar essa situação, que me deixa triste, pois os maiores prejudicados é a própria cidade", disparou.

Na mesma linha, a vereadora Maria da Cruz Martins de Arruda (PSD) também defendeu a necessidade da investigação. "Eu não seria vereadora se não acatasse qualquer denúncia ou pedido de investigação que chegasse aqui. Sinto que é minha missão como vereadora. Mas eu ainda acredito que a prefeita vai propor um acordo aos proprietários e por fim à essa situação. Meu sonho mesmo é que a prefeitura compre o prédio", defendeu.

Presente na Sessão da Câmara, a filha da denunciante, Vanessa Camargo Oliveira, afirmou que a família agora deve recorrer ao Ministério Público em busca dos seus direitos. "Nós tentamos via Câmara a retomada dos nossos direitos, mas não deu certo. Agora vamos ao MP e vamos continuar com a nossa ação na Justiça. Mas torcemos mesmo para que a prefeita nos procure e proponha um acordo, pois não queremos confusão", afirmou.

Entenda o caso

A prefeita Mariledi Coelho é acusada de não pagar o aluguel e ocupar irregularmente um prédio construído em um terreno de 1.548 metros quadrados, doado pela prefeitura com aprovação da Câmara em 2006. O referido pertence à Eva Mariusa de Camargo, e foi doado para a construção da sede própria de uma universidade particular, a Unopar.

Acontece que no início de 2011, a faculdade particular foi vendida e o contrato com sua franqueadora, Eva Mariuza, suspenso. Nessa altura, a prefeitura já alugava (e pagava) parte do prédio para abrigar cursos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Com a posse de Mariledi, em janeiro de 2013, os aluguéis deixaram de ser pagos e o contrato de locação não foi renovado. A dona do prédio afirma também que a prefeita se recusa à pagar três meses de aluguel ainda referentes à 2012, empenhados pelo ex-prefeito Marcionilo Corte Souza, o que seria um caso claro de improbidade administrativa.

"Nós fomos convidados a ir para Pedra Preta pela própria Mariledi, que era secretária de Educação na época e ajudou a viabilizar toda a situação. Não entendo por que ela agora está agindo dessa forma agora. Tenho a impressão de que ela está ouvindo pessoas que querem complicá-la", afirmou a empresária.