CONDIÇÕES DE TRABALHO

Caminhoneiros denunciam precariedade em mais uma grande empresa

Trabalhadores acusam Noble Agri de descaso e insalubridade

por GazetaMT

04 de Março de 2016, 09h20

Caminhoneiros denunciam precariedade em mais uma grande empresa
Caminhoneiros denunciam precariedade em mais uma grande empresa

Ana Flávia Dorsa e Robson Morais

Caminhoneiros denunciam precariedade em outra grande empresa Foto - Wagner Montanari/GazetaMT

Os protestos dos caminhoneiros contra as precárias condições de trabalho no terminal ferroviário da América Latina Logística (ALL) acenderam a revolta da categoria e abriram espaço para manifestações semelhantes em outras empresas instaladas em Rondonópolis. Desta vez, os trabalhadores denunciam insalubridade e descaso por parte da multinacional agrícola Noble Agri, no distrito industrial.

A reportagem acompanhou a situação dos trabalhadores que na última quinta-feira (3) aguardavam para carregar e descarregar na porta da empresa. Os caminhões com placas dos quatro cantos do Brasil aguardavam, há horas, e os motoristas -logicamente- também. Sob o forte sol e calor intenso, um grupo de trabalhadores se espremia numa estrutura pequena, feita com placas de metal no teto e paredes. A única opção de refresco estava em dois galões d'água, àquela altura já não tão gelada assim, trazido pelos próprios motoristas. Uma térmica de café, duas caixas de leite e uma porção de condimentos postos em uma mesa de plástico. Era tudo o que os trabalhadores tinham e consumiam já há algum tempo.

 Estrutura que abriga os trabalhadores Foto - Wagner Montanari/GazetaMTÉ preciso reforçar que se não fosse por estes poucos recursos trazidos por conta própria pelos caminhoneiros o cenário seria pior. Por parte da empresa, os trabalhadores alegam que nada é oferecido. Banheiro há, mas apenas um. Químico. Divido por todos os motoristas que ali param e necessitam utilizar. "Somos quinhentos motoristas e só temos um banheiro. É bem ali, ó", aponta para a nossa equipe um dos trabalhadores. "Semana passada entupiu tudo, aí arrumaram", completa.

Seu nome, assim como o dos demais entrevistados, será preservado por questões de segurança. Suas inicias são A. M., que há 16 anos percorre as estradas do Brasil a bordo de seu caminhão. O único banheiro disponível, na opinião de outro trabalhador, J. C., não é, porém, o maior dos problemas. A principal dificuldade é o Sol. A estrutura metálica é quente e desconfortável. Não existe uma sala adequada para quem está aguardando há 24 ou até 36 horas - como relatado- na porta da empresa. "O nosso descanso é assim, debaixo do Sol, dentro da cabine ou então ali (na estrutura). Se quiser descansar, é isso", lamenta. Quanto a alimentação, paga também pelos motoristas, o pedido é a instalação de um refeitório por parte da Noble Agri. "Uma empresa deste porte deveria ajudar a nós trabalhadores motoristas. Se somos nós que trazemos e tiramos o produto, como ela vai sobreviver sem a gente?", questiona. "Nós deveríamos ter mais valor".

"Acho que (o espaço) deveria melhorar muito para o motorista. Deveria ser um lugar onde a gente chega e se sente bem. Aqui eu chego e me sinto excluído", volta a conversar com a reportagem o primeiro motorista, A. M. Ele vem acompanhado de um terceiro caminhoneiro, que está só de passagem, mas que já teve de suportar a mesma dificuldade dos companheiros. "É lamentável. A empresa depende do caminhão, o trem não faz todo o trajeto. Mesmo assim a gente é muito desvalorizado".

Até o fechamento desta reportagem, a Noble Agri não se manifestou ante os questionamentos enviados pelo departamento de jornalismo do GazetaMT. Por e-mail, a redação solicitou esclarecimentos nos últimos dois dias e foi informada de que o material seria avaliado pela diretoria e remetido com as respostas à equipe. Não foi.