Análise

Adilton evita dar nota para Percival e diz que torce pelo sucesso da administração

Para ex-prefeito, reestruturação do serviço público é o maior desafio da atual gestão; ele defende que debate político priorize as idéias

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04 de Maio de 2013, 08h32

Adilton evita dar nota para Percival e diz que torce pelo sucesso da administração
Adilton evita dar nota para Percival e diz que torce pelo sucesso da administração

Adilton Sachetti disse que quando a gestão vai mal, quem perde é a cidade.O ex-prefeito Adilton Sachetti falou com exclusividade ao site Gazeta MT sobre o quadro político em Rondonópolis e o desempenho da gestão de Percival Muniz. Ele se recusou a dar uma nota sobre os quatro primeiros meses da administração, mas afirmou que torce pelo sucesso do atual prefeito e apontou a estruturação do serviço público municipal como o principal desafio dessa gestão.

"Acho que esse negócio de dar nota é injusto, não contribui com nada. O Percival tem a responsabilidade de fazer uma gestão melhor que a minha e a que ele próprio realizou anteriormente. Posso ter diferenças com ele, e tenho, mas torço para que faça um bom governo. Quero que ele supere o que foi feito antes e que a cidade volte a crescer", afirmou.

Adilton destacou que o desempenho da administração municipal afeta diretamente a vida de todos. Segundo ele, a política local passou por um processo de mediocrização que empobreceu o debate e prejudicou a cidade.

"Infelizmente as coisas tem ido muito para o lado pessoal, como se fosse um jogo de futebol. Prevalece o sentimento de que é preciso ter sempre um vencedor e um perdedor, isso não está certo. Precisamos retomar a discussão de ideias e ter em mente que quem precisa ganhar é a cidade", defendeu.

Para exemplificar seu ponto de vista, ele citou a gestão do antecessor de Muniz, José Carlos do Pátio - que chegou à Prefeitura após vencer o próprio Sachetti nas eleições de 2008. "O Zé foi mal, mas quem perdeu com isso não foi ele. A cidade pagou um preço muito alto. Quem perdeu foi Rondonópolis".

Reestruturação
Quando governou o município (2005/08), Adilton buscou a modernização da máquina pública. Implantou sistemas de aferição de rendimento e controle de presença, combateu super-salários, puniu servidores flagrados em irregularidades e tentou acabar com privilégios como o pagamento sem critérios dos adicionais salariais.

Apesar de melhorar o rendimento da máquina, essas ações renderam muitas críticas. A relação com o sindicato dos servidores foi tensa e a categoria chegou a entrar em greve. Na opinião de Adilton, as reações foram insuflada por interesses corporativos e políticos que acabaram impedindo uma reforma mais ampla na Prefeitura.

"A reestruturação do Serviço Público Municipal continua sendo uma necessidade. Acho que é o maior desafio dessa gestão. É preciso estabelecer um compromisso com a eficiência e cortar os gastos"sugere.

Entre os gastos considerados supérfluos, Adilton ressalta o pagamento da produtividade concedido a várias categorias do funcionalismo. Ele lembrou que o benefício foi concedido sem critérios numa época em que o país ainda convivia com a inflação, como forma de compensar defasagens salariais.

"Ela foi instituída quando o Rogério Salles era prefeito. Na época os salários estavam corroídos e, como não podiam dar aumento, optaram por criar a produtividade. Foi um 'puxadinho salarial' desenhado sem levar em conta os reflexos no futuro. Além de ilegal, ela gera injustiças, não contribui para melhorar o desempenho geral e onera muito a folha de pagamentos", afirma.

Adilton lembrou que chegou a recorrer ao Judiciário contra o 'privilégio', mas seu sucessor (José Carlos do Pátio) preferiu desistir do embate para evitar desgastes políticos. "Precisamos rever isso e fazer também ajustes profundos no Plano de Cargos, Carreiras e Salários. Os servidores precisam ser valorizados pelo desempenho, sem perder de vista que o objetivo final é atender bem a população", defendeu.