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Medeiros visita redação do GazetaMT, fala de política e faz balanço de sua atuação no Senado

Ele está à frente do mandato a pouco mais de quatro meses, após assumir o cargo deixado vago por Pedro Taques (PDT), eleito governador

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04 de Maio de 2015, 13h00

Medeiros visita redação do GazetaMT, fala de política e faz balanço de sua atuação no Senado
Medeiros visita redação do GazetaMT, fala de política e faz balanço de sua atuação no Senado

O agora senador da República, José Medeiros (PPS), advogado de formação e patrulheiro rodoviário de profissão, esteve em visita à redação do site GazetaMT e fez um breve balanço da sua atuação no Senado, além de falar de política e de seu futuro. Ele está à frente do mandato a pouco mais de quatro meses, após assumir o cargo deixado vago com a eleição do titular Pedro Taques (PDT) para governador de Mato Grosso.

De acordo com Medeiros, ele tirou alguns dias de sua agenda para ficar na sua base e apresentar uma espécie de balanço de sua atuação.

'O que eu tenho comigo como certeza é que preciso fazer um mandato bom, fazer com que o povo mato-grossense se sinta bem representado', disse Medeiros - Foto Luan Dourado/GazetaMTPara o senador, uma de suas principais lutas frente ao mandato foi pela liberação dos mais de R$ 400 milhões do Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações (FEX) referentes ao ano de 2014, que foi retido pelo Governo Federal. "Ficamos extremamente decepcionados com o veto sobre o FEX, que é um fundo de compensação para os estados exportadores, como é o caso do Mato Grosso, que iria injetar cerca de R$ 450 milhões no orçamento estadual, mas foi vetado pela presidente Dilma Rousseff, que pretende descontar os valores no ano que vem dos valores devidos pelos estados ao Governo Federal. Essa é um pauta nacional que impacta diretamente sobre nós, pois uma grande parte desse dinheiro era para os municípios e só para Rondonópolis viriam cerca de R$ 7 milhões, o que ajudaria muito a administração municipal", informou.

"O governo já vem a alguns anos atrasando esses repasses e esse ano resolveu dar o calote, pois é esse o nome que se dá para esses casos. Esse dinheiro é de Mato Grosso e não se pode mexer nele assim. Entendemos que é um momento de crise econômica, e também política, com a base política do governo brigando por espaços, mas entendemos isso como uma apropriação indébita", completou.

Outro ponto que tem preocupado o senador mato-grossense é a possível paralisação nas obras de duplicação da BR 364, tocada pela construtora Odebrecht, que tem o nome envolvido no escândalo da Petrobras. "O nosso medo é que isso somado à crise financeira vivida pelo estado brasileiro resulte na paralisação dessa obra importante para a nossa logística. Falamos com o ministro dos Transportes (Antônio Carlos Rodrigues), e saímos de lá ainda mais preocupados, pois o que queríamos tirar de lá era a garantia de que a nossa duplicação teria continuidade. Ele declarou que a obra não vai parar, mas ficamos preocupados", disse.

Outro ponto citado por Medeiros diz respeito a um projeto de lei de autoria do senador José Serra (PSDB), votado no último mês de abril, que libera valores retidos em depósitos judiciais, que ultrapassam R$ 4 bilhões, para serem investidos em obras e na melhoria da infraestrutura nos estados. "Agora, a maior parte desse dinheiro vai poder ser sacado pelos governos estaduais e usado como receita, o que pode ajudar em muito nesse momento".

Criação da Universidade Federal de Rondonópolis

Outra bandeira a que o novo senador do estado tem se empenhado em defender é a emancipação do Campus da UFMT na cidade e a consequente criação de uma universidade federal em Rondonópolis, uma luta antiga da sociedade local. "Houve um avanço grande com o parecer técnico do MEC (Ministério da Educação e Cultura) favorável à criação da UFR, que é onde sempre parávamos, mas agora conseguimos. Falta apenas a assinatura da presidente. Temos que mostrar para eles que não aumentam os custos, pois tudo que aumenta custos, neste momento de crise, está sendo barrado. Mas aqui em específico não se fala em aumentar os custos, mas apenas emancipar o campus, para que ele possa gerir os recursos que já vem para essa finalidade", explicou.

Ele ainda informou que estará presente, junto com a bancada do estado e lideranças, em uma audiência marcada para essa quarta-feira, 6, com o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, para tratar desse assunto. "O país está precisando de notícias boas e para nós a UFR é de suma importância e será um instrumento de desenvolvimento, nos tornando um polo educacional, o que nos permitirá ter uma mão de obra mais qualificada, trazendo o nosso desenvolvimento tecnológico por tabela, de forma sólida. Pois se você cresce em torno de uma ou outra commoditie, isso é uma bolha, com momentos bons e outros ruins, mas o conhecimento não. Ele é perene e a economia que advém dele é sólida", analisou.

Fusão do PPS com o PSB

Questionado sobre a possível fusão entre seu partido e o Partido Socialista Brasileiro (PSB), já aprovada pela direção nacional do PPS, o senador é enfático ao afirmar que esse pode ser o caminho de muitos outros partidos pequenos, como consequência da reforma política atualmente sendo debatida no Congresso Nacional, que prevê o fim das coligações para os cargos políticos proporcionais, como vereadores e deputados.

"O que está havendo é que o Brasil caminha para o fim dos partidos pequenos, e eu não gosto disso. Caminhamos para um bipartidarismo. Tem gente que acha bom, mas eu não. Existem partidecos, de aluguel, que só existem para se venderem em épocas de eleição, temos personalidades em pequenos partidos que (por conta do número alto de votos recebidos) leva um e outro, temos. Mas isso não é regra, é mínimo. Mas há uma junção dos grandes partidos, o PT, O PMDB e o PSDB, que estão tentando alijar os pequenos partidos", afirmou Medeiros, que diz ter claro frente ao cargo devido à forma de organização partidária como está hoje.

"Em outras circunstâncias isso não seria possível. Essa forma de coligação, que comporta pequenos partidos, permite que esses pequenos partidos tenham expressão. O que resta, com as mudanças que virão, é esses partidos se fundirem ou desaparecerem. O PPS e PSB já caminham juntos há um tempo, tem um viés ideológico parecido e não acredito que venhamos a ter problemas com essa fusão", opinou.

Futuro político

Sobre seu futuro na política, Medeiros mantem o tom de segurança na fala, negando qualquer pretensão de se lançar para algum cargo nas eleições de 2016, como já se aventa nos bastidores da política, jogando para o povo a decisão sobre o seu futuro político.

"Sem demagogia e sendo objetivo: estou muito focado em representar bem o estado no Senado. Tenho trabalhado desde cedo para representar bem o Mato Grosso e não tenho pensado nisso. O tabuleiro da política é muito complicado e não tenho tido tempo de acompanhar, fazer projeções. O que eu tenho comigo como certeza é que preciso fazer um mandato bom, fazer com que o povo mato-grossense se sinta bem representado e o resto fica para depois. O povo vai avaliar o que estou fazendo e dizer como vai ser meu futuro na política", concluiu.