Lei da Palmada

Senadores criticam pressa para aprovação da Lei da Palmada

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pretende incluir ainda nesta quarta-feira a matéria na ordem do dia do plenário da Casa

por GazetaMT

04 de Junho de 2014, 14h33

Senadores criticam pressa para aprovação da Lei da Palmada
Senadores criticam pressa para aprovação da Lei da Palmada

Em reunião tensa, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado discute hoje (4) a proposta conhecida como Lei da Palmada. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pretende incluir ainda nesta quarta-feira a matéria na ordem do dia do plenário da Casa, mas, para isso, a proposta precisa ser aprovada na CDH onde um grupo de parlamentares crítica a pressa para a votação.

Diante do impasse Renan, que, como presidente da Casa, não participa de comissões, foi pessoalmente à CDH fazer um apelo para que os senadores integrantes da comissão votem a matéria ainda hoje. "Vim fazer apelo para que nós deliberássemos hoje aqui nesta comissão para que ela vá para o plenário", disse Renan, garantindo que, em plenário, os senadores terão o tempo que for necessário para debater o tema.

Ainda na CDH, Renan destacou que o país tem o maior índice de lesão contra crianças e adolescentes no mundo e considerou absurda a defesa da tese de que criança "pode receber maus-tratos".

Hoje a apresentadora Xuxa Meneghel, que acompanhou a votação da proposta na Câmara dos Deputados, vem ao Senado, onde será recebida às 16h por Renan. Senadores como Magno Malta (PR-ES) acusaram o presidente do Senado de agir, apressadamente de forma eleitoreira, por causa da presença de Xuxa na Casa.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS), colega de partido de Renan, considerou "lamentável" o apelo do presidente do Senado na CDH.  Diante do impasse Malta pediu vista da matéria, o que forçaria a comissão a adiar a apreciação da proposta até sua próxima reunião. O senador capixaba, no entanto, foi derrotado por outro pedido de vista, desta vez, de Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que defendia prazo de apenas 30 minutos para que os senadores voltassem a analisar a proposta. Com isso, a sessão na CDH será retomada em instantes para resolver a questão.

"Eu vou trabalhar tudo para que [a proposta] seja aprovada hoje. Esta é uma questão em que o mérito, o conteúdo, vale muito mais que a forma. O Brasil é o país que mais maltrata crianças e adolescentes no mundo. Chegou o momento inevitável da história brasileira em que deve ser dito, basta!", defendeu Randolfe.

O Projeto de Lei da Câmara (PLC) 58/2014 altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e prevê que eles sejam educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante. O texto define castigo como a "ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em sofrimento físico ou lesão à criança ou ao adolescente".  Já o tratamento cruel ou degradante é definido como "conduta ou forma cruel de tratamento que humilhe, ameace gravemente ou ridicularize a criança ou o adolescente".

(Assessoria)