CASO MAURICIO SANTOS

Denúncia de tortura leva Bombeiros a instaurar novo inquérito contra Ledur

Novo caso de tortura cometido contra um ex-aluno bombeiro durante o 15º Curso de Formação de Soldados Bombeiro Militar é investigado.

por Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

04 de Junho de 2019, 10h01

Denúncia de tortura leva Bombeiros a instaurar novo inquérito contra Ledur
Denúncia de tortura leva Bombeiros a instaurar novo inquérito contra Ledur

Um novo Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado pelo Corpo de Bombeiros de Mato Grosso, para investigar uma nova denúncia de tortura que teria sido cometidas pela tenente Izadora Ledur durante o 15º curso de Formação do Corpo de Bombeiros, em 2015.

A denúncia foi feita pelo ex-aluno Maurício Santos, que diz ter sofrido tortura e abusos por parte da tenente. Ao GazetaMT, ele disse que se não tivesse desistido do curso tem certeza que teria morrido nas mãos de Ledur.

“A mesma coisa que aconteceu com o Rodrigo Claro aconteceu comigo, a única diferença é que as sessões de afogamento do Rodrigo ela fez enquanto ele fazia a travessia da Lagoa Trevisan, e comigo ela fez parado, no meio da lagoa. No dia desta instrução, que eu me vi obrigado a desistir do curso, porque se eu não fizesse isso, hoje eu posso dizer mais firme do que nunca, que eu não teria saído vivo”, afirmou.

O curso que Maurício participou começou em julho de 2015. Ele contou que em janeiro de 2016 foram iniciadas as atividades práticas, com aulas de salvamento aquático, salvamento em altura e terrestre, entre outras disciplinas. No entanto, no início as aulas não eram ministradas por Ledur.

“No começo eram com outros oficiais. Eu tinha dificuldade com água, então me preparava antes, em horários de folga, fazia treinamentos, e consegui melhorar um pouco. Eu tinha dificuldade sim, às vezes não conseguia chegar ao final, porém em nenhum destes momentos eu passei o que eu vim a passar depois nas mãos dela”, explicou Mauricio.

Foi no início do mês de fevereiro que a tenente Ledur começou a ser responsável pela disciplina aquática, e as aulas eram ministradas na lagoa Trevisan em Cuiabá.

“Na dos outros oficiais eu passei, no relatório mostra que fui aprovado. Aí começou as instruções com ela na lagoa Trevisan. E foi ali que ela destruiu meu sonho, acabou comigo, até hoje a gente sofre as consequências”, contou Mauricio.

As informações são de a vítima e algumas testemunhas já foram intimadas a prestar esclarecimentos sobre o caso.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da corporação, para obter mais informações sobre o caso, mas fomos informados que sob pena de atrapalhar as investigações, o encarregado do inquérito optou por não passar informações neste momento.

Caso Rodrigo Claro

O fato aconteceu no dia 10 de novembro de 2016 durante o treinamento de atividades aquáticas em ambiente natural do 16º Curso de Formação de Soldado Bombeiro do Estado de Mato Grosso realizado na Lagoa Trevisan em Cuiabá.

Rodrigo Patrício Lima Claro, de 21 anos, morreu por volta de 1h40 do dia 16 de novembro, quase seis dias após ser submetido às práticas de torturas e afogamento na lagoa.

O Ministério Público Estadual Mato Grosso denunciou a tenente ledur por crime de tortura com resultado morte do aluno. Além dela, outros cinco militares também foram denunciados pelo mesmo crime.

De acordo com a denúncia, o MPE destacou que apesar de apresentar excelente condicionamento físico, o aluno demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios.

Embora o problema tenha chamado a atenção de todos, os responsáveis pelo treinamento não só ignoraram a situação como utilizaram-se de métodos totalmente reprováveis, tanto pela corporação militar, quanto pela sociedade civil, para “castigar” os alunos do curso que estavam sob sua guarda.

Ledur responde pelo caso judicialmente na 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar. O responsável pelo processo é o Juiz Marcos Faleiros.