Quem tem marca-passo pode usar celular?
04 de Julho de 2016, 08h16
Muitos pacientes me perguntam se após a implantação do marca-passo vai poder usar aparelho celular.
O marca-passo é um aparelho que é implantado em portadores de diversas doenças do coração e tem a função de observar e corrigir os defeitos do ritmo cardíaco. Sendo para aumentar ou diminuir o ritmo do coração. A partir do momento que é necessário sua implantação, pelo menos no primeiro mês não é aconselhável. Mas após o retorno ao cardiologista para verificar o funcionamento do aparelho e a bateria poderá ser liberado pelo médico o uso, desde que o paciente tome certos cuidados que deverão ser observados diariamente por toda a vida.
Vamos lá. O primeiro deles é utilizar o celular do ouvido do lado contrário ao marca-passo, evitando colocar o telefone sobre a pele que recobre o aparelho no peito. A distância deve ser de pelo menos 15 a 30cm dependendo da potência do aparelho. Isso serve também para aparelhos eletrônicos de música.
Ao viajar avisar no aeroporto e bancos sobre o marca-passo, pois pode ser detectado no raio-X mas não interfere em seu funcionamento. No caso dos bancos ele é detectado pela porta giratória. Assim tem como optar pela revista manual.
Outros cuidados é prudente manter-se distante pelo menos 2 metros do micro-ondas durante seu funcionamento apesar destes aparelhos em uso atualmente apresentarem baixa probabilidade de penetração no organismo e consequente remota interferência no funcionamento do marca-passo. Entretanto, aparelhos com mau funcionamento e aterramento podem causar prejuízos na segurança.
Por outro lado, atividades que possam causas choques físicos e pancadas sobre o aparelho devem ser evitadas.
Com esses cuidados é possível que o paciente tenha vida normal inclusive fazer atividades físicas não competitivas e de baixa intensidade, devendo ser evitado pratica esportiva de alta intensidade e as que envolvam contato físico e impacto. Por outro lado, atividades recreativas devem ser encorajadas.
É importante lembrar que alguns exames médicos são proibidos como no caso da ressonância magnética. Entretanto, uma evolução da tecnologia de marca-passo tem desenvolvido aparelhos que permitem a realização desse procedimento desde que com alguns cuidados. Nesse caso, o médico responsável deve ser sempre consultado.
Por outro lado, procedimentos cirúrgicos como ablação por radiofrequência, radioterapia, litotripsia e mapeamento eletro-anatômico, exigem cuidados na preparação e realização do procedimento, visto que podem causar interferência no funcionamento do aparelho. Assim, a utilização de métodos de tratamento cirúrgico como a utilização de eletrocautério ou em caso de aplicação de energia em caso de urgência ou de forma eletiva com a utilização de desfibrilador, devem seguir orientações específicas.
Neste caso, é fundamental avisar a familiares e profissionais de saúde sobre o marca-passo, para que o aparelho seja desativado antes de qualquer procedimento que possa causar interferência ou mesmo danificar de forma irreversível o aparelho.
De todas as dicas a mais importante é que o paciente visite seu cardiologista regularmente para verificar as condições e os parâmetros de funcionamento do aparelho.
Ronaldo Peixoto de Mello é cardiologista, especialista em arritmia cardíaca e Eletro fisiologista premiado por melhor publicação da Cardiologia pela Sociedade Ibero-americana de Cardiologista em 2013.