QUASE TUCANOS
PSD e PSB com PSDB: uma aliança previsível
04 de Agosto de 2016, 09h48
Na candidatura a do atual vice prefeito de Rondonópolis, Rogério Salles (PSDB), à majoritária seguem aliados e mais fechados do que nunca os Democráticos do PSD e o Socialistas do PSB, numa aliança desenhada desde os mais altos escalões da política no Estado. Sem novidade, o respingo da composição nesta importante cidade do interior não deveria, nem de longe, ser encarado como surpresa.
PSDB e PSD compõem a atual gestão que governa Mato Grosso. Pedro Taques (PSDB) e Carlos Fávaro (PSD) numa harmoniosa e midiática condução dos trabalhos frente ao Executivo. Nem mesmo as reformas administrativas do governador que enxugou Pastas comandadas pelo próprio PSD parecem ter desagrado. Seguem firme no projeto, com direito a fortíssimos apoio direto do Senado, graças à representatividade hoje alcançada pelo senador José Medeiros. Parlamentar do PSD, que chegou posto após a saída de Taques rumo ao Governo.
Ainda na análise Democrática, por assim dizer, ver consolidada a candidatura de Salles era talvez a única estratégia do partido nestas eleições. Apoio à reeleição de Percival Muniz (PPS), por exemplo, jamais ocorreria. Vale lembrar do processo que ainda corre na Justiça envolvendo supostas acusações do prefeito de Rondonópolis contra o PSD e o próprio vice-governador Carlos Fávaro. Em áudio enviado via celular, teria Muniz delatado a compra de cargos e barganha promovida pelos Democráticos em prol do crescimento da sigla no Estado.
Sobre o papel do PSB na aliança com os tucanos a questão é mais simples. O atual deputado federal Adilton Sachetti é amigo de longa data, tem apreço e carinho por Salles. Ex-pré-candidato, jamais deixou de cogitar desistir para apoiar o amigo. Tudo dependia da coragem de Salles, ou do tamanho da "força maior" que o empurraria goela abaixo a missão de encarar a corrida.
Quando se lançou pré-candidato em um evento organizado pela executiva municipal do PSDB, talvez ainda não tenha sido comentado, Salles falou mais de Sachetti do que do próprio partido ou dele mesmo. Àquela altura, a ideia clara era a de o atual vice prefeito apoiaria a candidatura do deputado federal, quadro que se inverteu sem jamais sair do controle.
Resumindo o desenho e o papel dos partidos nesta composição: tucano um e quase isso os outros dois.