OPINIÃO
Setembro Amarelo, Sustentabilidade e Gestão Humanizada: uma Tríade de Cuidado
05 de Outubro de 2023, 10h49
Desde que foi criado pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) com o CFM (Conselho Federal de Medicina), em 2015, o Setembro Amarelo alerta para a prevenção ao suicídio no Brasil, país onde foram registrados 16.262 casos em 2022, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho de 2023. Em 2021, foram 14.475 suicídios - ou seja, uma alta de 11,8%.
Cada vez mais, o Setembro Amarelo ganha destaque nas agendas públicas e privadas, o que é fundamental para incorporar a importância da data no dia a dia dos brasileiros. Nesse panorama, a sustentabilidade e a gestão humanizada chegam para somar à campanha, que foi concebida há oito anos em referência ao dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.
A sustentabilidade e a gestão humanizada são dois conceitos que, quando interligados, compreendidos e aplicados de forma conjunta ao Setembro Amarelo, podem desempenhar um papel essencial na construção de um país e um mundo mais equilibrado e saudável. Não à toa, esses elementos se conectam e são essenciais para o bem-estar não apenas individual, como coletivo.
Sustentabilidade como Base
Em termos gerais, a sustentabilidade consiste na capacidade do uso consciente dos recursos naturais sem comprometer o bem-estar das gerações futuras. Assim, é preciso encontrar o ponto de equilíbrio entre as necessidades presentes e futuras da humanidade, tendo em vista os aspectos ambientais, sociais e econômicos.
Por isso, é impossível desassociar a sustentabilidade de pautas como a preservação dos recursos naturais, a redução do desperdício e a promoção de práticas que garantam que os cidadãos do amanhã receberão de nossas mãos um planeta com as condições necessárias para uma vida plena. Aliás, desenvolver uma gestão sustentável é fundamental para garantir que nós mesmos tenhamos, hoje, um ambiente habitável e recursos suficientes para todos.
Gestão Humanizada como Pilar
Recentemente, a Pesquisa “Felicidade Corporativa e Futuro do Trabalho” revelou que os trabalhadores brasileiros andam desanimados com a carreira. De acordo com a pesquisa, desenvolvida pela Reconnect Happiness at Work, em parceria com a Feedz, 11,9% dos profissionais do país estão apáticos e fazem o mínimo possível no dia a dia profissional. Como se não fosse o bastante, cerca de três a cada dez entrevistados (33,5%) afirmaram que se sentem cansados ou sobrecarregados.
Nesse cenário, ganha destaque a gestão humanizada - modelo de liderança que foca na garantia das boas condições de trabalho para os colaboradores. Isso porque a abordagem coloca as pessoas no centro das decisões e das práticas organizacionais, valorizando o seu bem-estar, promovendo a igualdade e respeitando a diversidade. Não há dúvidas: a gestão humanizada melhora a qualidade de vida no trabalho e contribui para a saúde mental e emocional das pessoas.
Lugar de convergência
Agora que já vimos os principais conceitos do Setembro Amarelo, da Sustentabilidade e da Gestão Humanizada, chegamos ao lugar onde esses três elementos se conectam. Para começar, é preciso reconhecer que saúde mental é parte integral da sustentabilidade, uma vez que indivíduos saudáveis mentalmente têm mais chances de se engajar em práticas sustentáveis e, por conseguinte, contribuir para um mundo melhor.
A gestão humanizada nas organizações, por sua vez, promove um ambiente de trabalho mais saudável e reduz o estresse e a pressão sobre os colaboradores - o que contribui para uma melhor saúde mental. Afinal, não somos robôs, mas seres humanos. Por isso, quando um profissional se sente devidamente valorizado e apoiado, torna-se naturalmente mais propenso a se preocupar com questões de sustentabilidade, como o uso responsável dos recursos e a adoção de estilos de vida mais conscientes.
A cada ano, o Setembro Amarelo nos lembra da importância de cuidar de nós mesmos e dos outros. Nesse sentido, a empatia e o apoio emocional devem ser utilizados como peças-chave da gestão humanizada, e essas atitudes podem ser estendidas para a promoção de uma sociedade mais solidária e consciente das questões de sustentabilidade.
Como vimos, o Setembro Amarelo, a sustentabilidade e a gestão humanizada têm como objetivo comum a promoção do bem-estar e da harmonia, seja em nossas interações diárias, no ambiente de trabalho ou na preservação do nosso planeta - e, por isso, estão intrinsecamente relacionados. À medida que nos esforçamos para construir um mundo mais sustentável, não devemos esquecer a importância de cuidar uns dos outros e reconhecer que a saúde mental e emocional desempenha um papel fundamental nesse processo.
Sueli Cossuol é diretora executiva da Amera, formada em logística pela Universidade de Vila Velha, no Espírito Santo. Há mais de 19 anos atua na área de comércio exterior com experiências em importação, exportação e despacho aduaneiro, trabalhando em empresas como HandLine, Danesi, Jas WorldWide e UNION Vix, e diretora de operações na FortFlex. Em 2022, assumiu a diretoria executiva da Amera.