CASO RODRIGO CLARO

Promotor afirma que se não houvesse as atrocidades ocorridas na Lagoa Trevisan Rodrigo estaria vivo

Próxima audiência do caso está marcada para o dia 12 de março de 2020.

por Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

05 de Novembro de 2019, 08h30

Promotor afirma que se não houvesse as atrocidades ocorridas na Lagoa Trevisan Rodrigo estaria vivo
Promotor afirma que se não houvesse as atrocidades ocorridas na Lagoa Trevisan Rodrigo estaria vivo

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Para o promotor de justiça, Allan Sidney do Ó Souza, se não houvessem as atrocidades ocorridas na Lagoa Trevisan, o aluno Rodrigo Claro estaria vivo. A alegação foi dada na tarde de segunda-feira (04), após a realização da audiência sobre o caso realizada na 11° Vara Criminal de Justiça Militar de Cuiabá.

"É claro que se não houvessem as atrocidades nas águas da Lagoa Trevisan, o Rodrigo Claro estaria com vida e estaria hoje prestando bem a sociedade através do Corpo de Bombeiros Militar”, afirmou.

Na audiência realizada no Fórum da Capital, foram ouvidos o médico legista Dionisio José Bochese Andreoni, do Instituto Médico Legal (IML) e capitão do Corpo de Bombeiros Janisley Teodoro Silva.

Em seu esclarecimentos sobre laudo da morte de Rodrigo, que apontou um Acidente Vascular Cerebral do tipo hemorrágico, o perito Dionisio afirmou que oficialmente a perícia realizada não conseguiu identificar a origem do sangramento e nem se o aluno sofria de um aneurisma.

"Nos exames que realizamos não conseguimos identificar o ponto de origem da hemorragia. O sangramento acaba escondendo o ponto onde ele (aneurisma) se iniciou. Outro detalhe é que esforço físico não rompe vaso saudáveis, mas sim os com problemas. No entanto, há sim casos de que esses vasos ruins rompam mesmo a pessoa estando dormindo", declarou perito.

Em contrapartida, a mãe de Rodrigo, Jane Patrícia Claro, afirmou que o filho era saudável.

"Rodrigo era saudável, ele fez todos os exames e nunca foi detectado nenhum tipo de má formação nos vasos do cerebro dele. Ele sempre foi ativio, fazia atividades físicas constantemente e nunca reclamou de dor de cabeça", rebateu.

Para o MPE ficou claro que ele (Perito) não descarta a relação entre a tortura que Rodrigo sofreu no treinamento e a morte.

“Tecnicamente não houve essa quebra, e o Ministério Público continua a tese constante na denúncia, qual seja? É a civícia experimentada sofrida pelo aluno Claro, foi sim fundamental ensejar o óbito dele. O médico não afirmou que o Rodrigo pudesse ter alguma má formação que levou ao AVC, apenas não descartou essa hipótese”, detalhou promotor.

Para a família de Rodrigo a tenente é culpada pela morte do jovem.  A mãe de Rodrigo ainda contou que o resultado dos depoimentos já era esperado, mas ela afirmou que não desistira de buscar Justiça pela morte do filho.

"Os depoimentos feitos aqui já era esperados. Mas, nos viemos até aqui, a gente vai fazer de tudo para ir até o fim, leve o tempo que durar, pois nós não estamos aqui por vingança, mas sim por justiça e vamos até o final”, afirmou.

A próxima audiência ficou marcada para o dia 12 de março de 2020, onde está previsto a serem ouvidos major BM Danilo Cavalcante Coelho e a ré Izadora Ledur.

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Relembre o caso

Rodrigo morreu no dia 15 de novembro de 2016, após passar mal em uma aula prática, pelo 16º Curso de Formação de Soldado Bombeiro do Estado de Mato Grosso, realizada na Lagoa Trevisan, na Capital, na qual Ledur atuava como instrutora. Além dela, outros cinco militares dos bombeiros foram denunciados.

Conforme a denúncia realizada pelo Ministério Público do Estado (MPE), Rodrigo demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre e outros exercícios aquáticos.  Com isso, Ledur teria utilizado de métodos reprováveis de tortura e intimidação, como forma de punir o jovem, nas práticas de exercícios.

“Os métodos abusivos praticados pela instrutora consistiram tanto de natureza física, por meio de caldos com afogamento, como de natureza mental utilizando ameaças de desligamento do curso”, diz trecho de denúncia.

Ledur respondeu a um Inquérito Policial Militar (IPM), no qual foi concluído que ela foi negligente e não cumpriu fielmente a ementa da disciplina.

No inquérito, foi constatado que Ledur afundou o aluno e jogou água em seu rosto quando ele voltava à superfície, mas a conclusão foi que a militar foi inocente das acusações.