PERDERAM TUDO
Dezenas de famílias são despejadas do Vale do Abençoado; moradores afirmam não ter para onde ir
Os moradores ocupam a terra há mais de 25 anos, onde sua maioria vive do cultivo da terra. A ordem de despejo foi cumprida na manhã desta terça-feira (04).
05 de Fevereiro de 2020, 12h41
Dezenas de famílias foram despejadas do Vale Abençoado na manhã de terça-feira (04), durante o cumprimento de uma determinação judicial de reintegração de posse, no município de Santo Antônio do Leverger.
A Polícia Militar deu apoio ao oficial de Justiça, designado para cumprir a decisão proferida pelo juiz Alexandre Paulichi Chiovitti da Comarca do município.
Mais de 20 famílias foram retiradas da propriedade, onde viviam há décadas da agricultura.
Segundo a presidente da Associação de Moradores, Ana Benedita de Moura e Silva, os moradores despejados perderam tudo e tiveram que se desfazer de toda plantação e criação que mantinham na propriedade.
"Eu não tenho mais lágrimas, todo o povo trabalhando, assentado, criando. Eu quero ver onde o Governo do Estado e a Prefeitura vão acomodar esse povo. Foi a maior tristeza, trator destruiu casa boa, derrubou tudo", declarou.
Há alguns dias atrás, quando foram notificados sobre a ordem de despejo, um grupo de moradores chegou a gravar um vídeo, onde é possível ver o depoimento emocionado de mães que afirmam não ter para onde ir.
“Eu vou ter que ir pra rua. Eu não penso só em mim, mas tem muita gente que não tem onde morar”, disse uma moradora as lagrimas.
Em outro depoimento, uma moradora conta que cria seus filhos naquela comunidade, onde vivem do que plantão.
“O vale representa tudo, esses aqui foram nascidos e criados no Vale Abençoado. Nós não temos renda, vivemos do que conseguimos plantar aqui”.
Ainda não se sabe qual será o destino daquelas famílias.
Histórico
As informações levantadas pela reportagem dão conta que o proprietário do imóvel, hoje falecido, em um acordo com o governo do estado, cedeu as terras para implantação do assentamento que na época tinha mais de 70 famílias.
Lá, os moradores construíram casas, escolas, posto de saúde e era gerida pela Prefeitura de Santo Antônio de Leverger.
Em 2017, o então governador Pedro Taques assinou o decreto que declarava as terras de interesse social e autorizava a desapropriação da localidade. Nesta mesma época, entregou títulos de posse às famílias.
No entanto, no mesmo ano a viúva do proprietário da terra conseguiu uma liminar na Justiça que determinou a reintegração de posse.
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