má gestão
Petista denuncia dívida milionária na Coder; valores são superiores a R$ 42,5 milhões
Os valores seriam principalmente referentes ao não pagamento de impostos como Cofins, ISSQN e parcelamento de dívidas junto ao INSS e outros
05 de Março de 2013, 17h15
O vereador Mauro Campos (PT) denunciou durante a Tribuna Livre da Câmara, na última quarta-feira, 27, o acúmulo de uma dívida milionária na Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder). Os valores seriam superiores a R$ 42,5 milhões e seriam principalmente referentes ao não pagamento de impostos como Cofins, ISSQN e parcelamento de dívidas junto ao INSS e outros.
Segundo o petista, a maior parte da dívida é relacionada a direitos trabalhistas não recolhidos e já viria se arrastando há tempos, mas teria crescido muito nas administrações dos prefeitos Zé do Pátio (PMDB) e Ananias Filho (PR). Ao final do governo do Adilton (Sachetti) essa dívida já existia, mas era de mais ou menos R$ 7 milhões. "Nesses governos, eles não buscaram entendimento com o INSS e Ministério do Trabalho, o que gerou boa parte dessa dívida, que é de juros devidos. Mas a Coder também deve muito para fornecedores, o que tem feito com que a empresa fique sem crédito na cidade", pontuou Campos.
Ele também denunciou o estado de 'sucateamento' em que foi deixada boa parte dos maquinários da Companhia, principalmente por falta de manutenção. "Coisas simples como a troca de óleo deixaram de ser feitas nas máquinas, o que fez com que seus motores e peças deteriorassem, causando o sucateamento do seu maquinário", denunciou.
Mauro Campos demonstrou ainda preocupação com o futuro da Coder e cobrou uma atitude firme da atual administração. "Se ela (Coder) não consegue nem recolher os direitos trabalhistas de seus funcionários, isso me deixa muito preocupado e eu espero que o novo gestor tome providências enérgicas e procure o Ministério Público, por que isso não pode ficar assim. Os culpados vão ter que pagar pelo que fizeram e a atual equipe pode até ser responsabilizada se não acionar juridicamente os ex-gestores", afirmou.
Apesar dos problemas administrativos e financeiros da autarquia, ele defendeu o papel que a Coder cumpre no Município. "A Coder ainda é uma alternativa viável para o Município fazer obras bem feitas a um bom custo também. Ela faz as obras mais baratas do que terceirizar a obra. O que falta é administrar ela com responsabilidade e competência", disse.
A reportagem do GazetaMT procurou o atual diretor administrativo e financeiro da Coder, José Cláudio Melo, que reconheceu a dívida e afirmou que a empresa tem passado dificuldades por conta dela. Segundo ele, a empresa está sem certidões negativas de débitos, o que a impede de assinar contratos com a prefeitura e outros entes públicos. "Nós vamos ter que renegociar tudo isso novamente e dessa vez, como foi deixado de pagar parcelamentos de dívidas, nós vamos mais ter direito a abatimentos no valor total. Para pagar os 20% desse total, exigidos para que seja concretizado um novo parcelamento, nós vamos ter que vender bens da empresa para levantar o dinheiro necessário", avisou.
Ele informou ainda que a atual administração terá que responsabilizar judicialmente as gestões anteriores, para que volte a contar com as certidões, que possibilitarão a celebração de novos contratos. "Nós não queremos prejudicar ninguém, mas essa é uma forma de nos resguardarmos, demonstrando essas dívidas ao MP e ao TCE, para não ficarmos com o ônus de administrações anteriores", finalizou José Cláudio.
Entre os bens que devem ser vendidos pela Coder, estão a Feira Livre da Vila Aurora, a área onde fica o lixão da Mata Grande e o Jardim das Flores. Esses bens deverão ser comprados pela prefeitura, forma encontrada para contornar o problema.