Enxergando atrás do morro
05 de Junho de 2013, 07h18
Sou defensor intransigente da política. É a partir dela que os grandes temas de uma sociedade são debatidos e onde se traçam os rumos a serem tomados. O político é aquele que, tal qual o estilista dita as tendências para o próximo verão, cabe a ele pensar à frente, nortear e ser o facilitador das mudanças, do desenvolvimento. É regiamente pago pela sociedade para fazer isto, enquanto esta produz.
Porém, não é o que está acontecendo. Estamos diante de um cenário significativo de esvaziamento de lideranças políticas. O sentimento vigente é que pouco se pode esperar da classe política.
O foco nos interesses próprios e partidários apequenou o processo político. Ressalta-se que as duas principais lideranças políticas do país já caminham para a "saída": FHC está com 82 anos e Lula, com câncer, vem logo atrás.
O descrédito na classe política chegou a tal ponto que foi preciso buscar algo de fora do meio político para que a população os aceitasse, surgindo então uma nova casta, representada por "tecnopolíticos" ou por "híbridos" empresários políticos.
Ambas as experiências foram fracassos. Dilma é a representante máxima dos "técnicos". Sem habilidade e com estilo bruto, conduz de forma atabalhoada o País, tanto politicamente quanto administrativamente. Mesmo em um cenário economicamente favorável, o País se arrasta, amarga índice de crescimento tímido, o que combina com os outros indicadores. Politicamente, o governo é um desastre, consegue se enrolar nos "cabelos das próprias pernas".
Em Mato Grosso a experiência foi pelo híbrido. Outro fracasso. Quando as forças políticas começaram a claudicar, buscou-se no empresariado um nome que viesse substituir o velho modelo. A expectativa era surgir um representante com um curriculum baseado em princípios sólidos e inabaláveis de probidade, além do zelo pela coisa pública, aliado a capacidade gerencial. "Um novo jeito de governar".
Neste contexto, descortinava-se formidável futuro para as próximas gerações. Ledo engano. Feito um assaltante de valores, o novo modelo, com sua sanha de huno, destruiu tudo por onde passou, com o adendo da total falta de escrúpulos, afinal, de Rolim de Moura a Dante de Oliveira nunca se viu tanto escândalo em um governo.
Há quem diga que isso ocorreu porque a trajetória de um empresário é feita de objetividades, de pragmatismos, de olhar voltado para as oportunidades que surgem para sua empresa, onde se prima pela linha absolutista da ética de resultados, onde o objetivo maior é a empresa.
Seja qual for a razão, o certo é que classe política está arriscada de ser varrida por meros executivos, que se instalam na política apenas com um objetivo: usar o poder do Estado em beneficio de seus negócios.
Neste cenário, o silêncio dos políticos é doloroso e pernicioso, para não dizer trágico. Mesmo sabendo que serão varridos, alguns ainda imploram para que estes modelos permaneçam. Com este comportamento, merecem mesmo desaparecer, pois quem se comporta como verme, uma hora será esmagado.
Alguns entendidos arriscam dizer que este vazio de lideranças se deu por uma quebra de tradição, ou seja, de transmissão de uma geração à outra. Como não houve a transmissão política, surgiu o vazio, e tal como a nau sem rumo, a política caminha desorientadamente por falta de um farol.
A discussão para a próxima eleição já foi iniciada. Dois novos fatos surgem no cenário: em nível nacional, o possível candidato Eduardo Campos, neto de Miguel Arraes; e em Mato Grosso Pedro Taques, fenômeno eleitoral da eleição de 2010, e que deixou o Ministério Público para ingressar na política de corpo e alma. Seria esta a nova geração chegando como referencial para resgatar a credibilidade da política, ou os modelos frios e "robotizados" vieram pra ficar?
José Antonio dos Santos Medeiros
1º suplente senado - PPS/MT