VALSA
Taques precisa se mostrar bom dançarino em meio às crises do Estado
05 de Junho de 2017, 09h25
Em meio à crise financeira que assola o Estado, o governador Pedro Taques-PSDB articula quase como quem dança valsa. Para lá e para cá, mescla entre seu pulso firme -há quem diga autoritário- e a capacidade política de costurar acordos. Ou, também há quem diga, falta dela.
A pior crise atual está na Saúde de Mato Grosso. Em todo o Estado, unidades de saúde que carecem dos repasses do Estado estão em situação de calamidade, enfrentam atrasos nos pagamentos mensais que custeiam até mesmo os serviços mais básicos. Há duas semanas, o desabafo do diretor do Hospital Regional de Sorriso chamou a atenção da imprensa.
Em Rondonópolis, Buxixo é testemunha ocular, o quadro é semelhante. Em dois anos, duas paralisações dos profissionais por falta de pagamento. Houve período em que o atraso por parte do Estado chegou a 120 dias. É muito.
Como medida emergencial, Taques e seu staff partiram para o enfrentamento político. Quer o governador a realocação de recursos de outros setores para cobrir o buraco nas contas da Saúde. Problema é conseguir apoio. Se por um lado, há quem apoie a medida, por outro o assunto se tornou prato cheio aos políticos de oposição (deputados estaduais e prefeitos), além de profissionais diretamente interessados nas fatias do governo.
A exemplo, a destinação dos recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação, o Fethab. A verba é paga aos municípios por meio de parceria em investimentos na infraestrutura. É dividido entre os setores de Commodities, Diesel e o Fethab 2.
Preocupados com o corte, prefeitos, bem como a Associação Mato-Grossense dos Municípios -AMM, se opuseram à proposta de realocação, alegando não poderem abrir mão do recurso. Outro que se opôs foi o setor da produção rural.
Sobre este último, aparte aqui para a rixa formada nos bastidores da política entre o governador e seu vice Carlos Fávaro -PSD, nome oriundo do agronegócio. Foi vice presidente da Aprosoja e coube a ele o primeiro aviso a Taques: tirar do produtor rural não seria boa ideia, ainda que o produtor rural tenha garantida isenções tributárias e auxílios dos mais polpudos.
Outra possibilidade para a captação emergencial de recursos seria o auxílio dos poderes Judiciário e Legislativo, além dos órgãos autônomos como Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado (TCE). Também foram contra.
Na Assembleia Legislativa do Estado, deputados da situação confirmaram auxílio de até R$ 80 milhões ao Executivo, sob vaias e protestos da oposição. Parlamentares contrários defendem que Taques deve interromper, em primeiro lugar, programas como o Caravana da Transformação e demais programas, os que classificam como palanque político antecipado.
No front da tomada de decisões, Taques se mostra um chefe de Estado envolto a assertividade e frustração quanto às expectativas. É a segunda grande crise do atual governo. Esta, porém, carece de um ainda mais habilidoso dançarino.