Conflito de interesses
05 de Agosto de 2015, 10h00
Ao se considerar o Brasil um país emergente no contexto mundial, penso que com isso se pretender dizer que está a ganhar maturidade, a exemplo de um adolescente na passagem para a idade adulta. Os órgãos de soberania e as instituições estão a crescer, no sentido de serem adultas, consolidando aos poucos o exercício da sua missão com efetiva independência e compromisso.
Prova desse avanço, desse crescimento, é o sistema Judiciário, o qual hoje já consegue levar à justiça qualquer cidadão, independentemente da sua função, cargo ou poder econômico, contrariando assim o que se verificava num passado recente.
No caso do poder executivo, as coisas também apresentam algum amadurecimento. Vai ocorrendo em âmbito federal, com a procura de desenvolver políticas que melhorem a vida dos cidadãos numa óptica global com minimização das assimetrias que historicamente apresentavam números e fatos sociologicamente indefensáveis e inaceitáveis, não só aos olhos do mundo como também daqueles que mais sofriam e ainda sofrem com políticas públicas danosas e ruinosas.
A nível estadual também se vai verificando algumas melhorias, se bem com diferentes graus em diferentes estados, por via de uma procura em concretizar os projetos levados a votos, num processo de transformação e transparência. Já no caso dos executivos municipais, dada a enorme disparidade de dimensões locais neste país imenso, ainda se verificam casos de completa disfunção, quer por incompetência, quer por malandragem.
Porém, o poder legislativo, penso ser aquele que ainda apresenta mais dificuldades em passar à fase adulta.
No judiciário, cuja incorporação dos seus agentes se vai fazendo exponencialmente por competência, o processo de mudança e os resultados acabam por aparecer mais rápido. No executivo, o cansaço da população que elege os seus representantes, acaba por obrigá-los ao cumprimento das promessas feitas com a concretização das obras, retirando assim paulatinamente espaço aos agentes ruins. Porém, o legislativo, com o seu enorme poder decorrente da sua missão de produção das leis que tudo suportam, tem vindo a mostrar mais dificuldade em se libertar dos pesados interesses a que estão sujeitos, quer os legítimos quer os menos legítimos.
Uns regulam, outros executam e outros fiscalizam. Importante falar também daqueles que informam. Os meios de comunicação social. Considerado o quarto poder, também ele procura a sua emancipação, mas a coisa não está fácil. E nessa dificuldade, pergunto-me.... será que a querem? Penso que sim, mas principalmente ao nível do repórter, que quando sai na universidade vem cheio de vontade e força para mudar o mundo, Porém o empresário, dono do veiculo, deixa-me algumas duvidas que o queira, ou saiba fazer.
Torna-se agora incontornável falar do principal Poder. Todos nós e cada um de nós. Somos nós, cidadãos individualmente e em coletivo que precisamos não parar de crescer e junto conosco as organizações que criamos para nos ajudar a viver em comunidade. Penso que independentemente de modelos políticos sempre em discussão, os brasileiros estão mais amadurecidos na defesa do seu povo e do seu ambiente. Nos países não emergentes e ditos evoluídos, com especial relevo para os muito evoluídos, existe um indicador nuclear para essa classificação... A redução qualitativa e quantitativa dos diferenciais entre o cidadão mais próspero e o menos próspero.
Se confirmar que o Brasil é um país emergente, então sejamos sinceros, estamos numa fase das mais interessantes da vida.
Força, sonho e mudança.
Rui Perdigão -Administrador, consultor e presidente da Associação Cultural de Portugueses de Mato Grosso