Na Câmara

Funcionários da Santa Casa e do Paulo de Tarso querem aumento nos preços de procedimentos do SUS

O ato faz parte de uma agenda nacional de mobilizações de hospitais filantrópicos que prestam serviços ao sistema de saúde público

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05 de Agosto de 2015, 16h15

Funcionários da Santa Casa e do Paulo de Tarso querem aumento nos preços de procedimentos do SUS
Funcionários da Santa Casa e do Paulo de Tarso querem aumento nos preços de procedimentos do SUS

Um grupo de funcionários do Hospital Psiquiátrico Paulo de Tarso e da Santa Casa foi até a Câmara Municipal durante a Sessão Ordinária do Legislativo dessa quarta-feira, 5, para mobilizar os parlamentares para a sua luta pelo aumento dos valores pagos pelos procedimentos médicos e cirúrgicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O ato faz parte de uma agenda nacional de mobilizações de hospitais filantrópicos que prestam serviços ao sistema de saúde público brasileiro.

A Santa Casa de Rondonópolis tem um quadro de 670 funcionários, dos quais mais de 120 são médicos, e realiza mais de 4 mil atendimentos por mês pelo SUS - Foto GazetaMTDe acordo com a administradora da Santa Casa de Misericórdia, Maria Marleide Ferreira Narciso, as entidades filantrópicas que atuam na área da saúde no país se mobilizam desde o ano de 2014 para cobrar apoios dos parlamentares nas várias esferas, municipal, estadual e federal, para a sua luta pela recomposição dos valores pagos pelo SUS pelos procedimentos médicos e cirúrgicos para as entidades hospitalares. "A tabela de remuneração dos procedimentos médicos pagos pelo SUS é muito baixa e precisa ser revista, pois está inviabilizando financeiramente hospitais filantrópicos, como a Santa Casa. O que eles estão nos pagando não cobre os nossos custos e todo ano temos fechado as nossas contas no vermelho, por isso a questão de estarmos vestidos dessa cor: é por que realmente estamos no vermelho", informou.

Ainda de acordo com ela, a situação é ainda mais grave em hospitais como o Paulo de Tarso, que atende exclusivamente pacientes do SUS. "No nosso caso, ainda temos 63% somente de atendimentos pelo SUS, mas temos outras rendas. Mas, nos atuais valores, não há como continuar atendendo todos os milhares de pacientes que atendemos. É isso que queremos que seja revisto", completou.

Segundo Marileide Narciso, a Santa Casa e o Paulo de Tarso, que são os únicos hospitais filantrópicos da região, ainda recebem do SUS apenas 60% dos valores de cada procedimento, e os hospitais arcam com o restante, o que agrava ainda mais a situação de penúria financeira das entidades. "Nós estamos há doze anos sem correção na tabela do SUS. Durante esse período a luz subiu, o salário dos enfermeiros e médicos subiu. Tudo subiu, menos o valor que os hospitais recebem", alertou.

Ela diz ainda que não há um percentual definido para a correção nos valores, mas indica algo em torno de 300% nos valores pagos atualmente. "Um médico recebe pouco mais de R$ 2 por uma visita a um paciente internado e o SUS paga pouco mais de R$ 300 por um parto. Para se fazer um cateterismo, que exige toda uma equipe médica, com médico, anestesista, enfermeiras e técnicos em enfermagem, o SUS paga pouco mais de R$ 600. Ou seja, paga muito pouco, paga muito mal", emendou.

Ainda segundo dados apresentados pela administradora, a Santa Casa de Rondonópolis tem um quadro de 670 funcionários, dos quais mais de 120 são médicos, e realiza mais de 4 mil atendimentos por mês pelo SUS, sendo que desse total mais de 3 mil são atendimentos ambulatoriais e cerca de 740 com internações. Para isso, conta com uma estrutura de 205 leitos ativos, sendo 19 de UTI adulta e infantil.