Lava Jato
Investigação que apura propina em forma de doação de campanha pode chegar a Sachetti
Sachetti teria recebido R$ 600 mil do grupo para sua campanha eleitoral de 2014
05 de Agosto de 2019, 10h25
O ex-prefeito de Rondonópolis, Adilton Sachetti (PRB) foi um dos beneficiários de doações de campanha do Grupo Petrópolis, que são apontados por investigações da Polícia Federal (PF) como propina disfarçada de doação para campanhas eleitorais. Sachetti teria recebido R$ 600 mil do grupo para sua campanha eleitoral de 2014, quando se elegeu deputado federal, tendo recebido R$ 100 mil diretamente da Petrópolis e R$ 500 mil repassados pelo ex-governador Pedro Taques (PSDB), parte de valores repassados pela cervejaria à campanha do então candidato ao Governo.
Denominada "Rock City", nome em inglês que significa Cidade de Pedra, a 62ª fase da Operação Lava Jato investiga o pagamento de propina feita em forma de doações feitas pelo Grupo Petrópolis para campanhas eleitorais em todo o país que somam R$ 24,8 milhões apenas em 2014.
A suspeita da PF é que os valores sejam na verdade propina paga na forma de doação para campanhas eleitorais, já que o Grupo Petrópolis foi beneficiado em Mato Grosso com incentivos fiscais que chegam a até 90% de redução no valor do ICMS próprio e por substituição tributária, incentivo esse estabelecido no ano de 2012, ainda no governo Silval Barbosa. A investigação aponta que por conta desse incentivo, o Estado deixou de arrecadar cerca de R$ 800 milhões em impostos.
Anteriormente, o empresário Alan Malouf, que foi responsável pelo caixa de Taques na campanha eleitoral de 2014, já havia confirmado à Procuradoria-Geral da República que a Cervejaria Petrópolis fez as doações de R$ 3 milhões em troca da manutenção dos ditos incentivos fiscais. O ex-secretário de Indústria e Comércio na gestão de Silval Barbosa, Pedro Nadaf, também já havia confirmado que a empresa havia pagado R$ 2,5 milhões de dívidas de campanha de Silval em troca dos incentivos.
No caso de Adilton, o então candidato a deputado federal recebeu uma doação direta da Petrópolis no valor de R$ 100 mil, mas ainda recebeu de forma indireta mais R$ 500 mil repassados por Taques. Outros candidatos, como o também ex-prefeito Rogério Salles (PSDB), na época candidato ao senado, recebeu R$ 150 mil, mas os valores recebidos por Sachetti são bem superiores, fato que talvez seja explicado pelo fato de tenha sido durante o período que o mesmo era prefeito de Rondonópolis que a Petrópolis inaugurou sua fábrica na cidade.
As investigações ainda estão em andamento e não se sabe quando a mesma terá um final, mas o que se comenta é que a PF pode chegar até Sachetti, pois os valores repassados pela empresa para ele são vultuosos e chamam a atenção.
Derrotado na eleição de 2018 para o Senado, Adilton tem dito à imprensa que é candidato a prefeito de Rondonópolis em 2020, sendo considerado um dos nomes fortes da disputa.