De olho
Mohamed Zaher questiona obra, serviço de monitoramento e uso de dinheiro de fundo
Vereador usou a tribuna da Câmara e fez denúncias graves envolvendo desvio de dinheiro do Procon e a obra da travessia urbana
05 de Setembro de 2012, 18h31
O vereador Mohamed Zaher (PSD) criticou a colocação de câmeras de monitoramento no Palácio Municipal, denunciou o desvio de dinheiro da conta do Fundo Municipal dos Direitos Difusos e questionou os dados repassados pela prefeitura a respeito do contrato firmado com a Equipav Engenharia S/A, empresa que está tocando a obra da travessia urbana. O desabafo ocorreu durante o uso da tribuna livre na sessão ordinária desta quarta-feira (05.09).
O vereador questionou a instalação de câmeras em algumas salas da prefeitura. O procedimento foi feito durante o final da semana passada e surpreendeu os funcionários públicos que trabalham no local.
"Quero saber quando foi feita esta licitação e quanto foi gasto com isso. Acho estranho que as câmeras sejam colocadas durante o período de campanha eleitoral e justamente quando estamos denunciando perseguição de alguns servidores. Outra questão é que foi o Ananias que pediu para retirar as câmeras que haviam sido colocadas na Câmara Municipal, quando foi presidente da Mesa Diretora", ressaltou.
Requerimento
Mohamed também protocolou requerimento solicitando informações a respeito do movimento financeiro do Fundo Municipal de Direitos Difusos, fundo do Procon, para averiguar denúncias de que foram feitas duas retiradas em cheques de R$ 97.500,00 cada um. O problema é que o dinheiro deveria ser revertido, segundo a lei, em ações específicas que beneficiam consumidores.
"Na lei, está especificado que do montante que estava na conta 50% seria da prefeitura e 50% deve ser aplicado em ações que beneficiam consumidores, acontece que a parte da prefeitura já havia sido gasta pelo ex-prefeito Zé Carlos do Pátio, estes dois cheques então foram pagos com a metade destinada as ações do Procon", explicou.
O requerimento solicita os extratos, balancetes e atas das reuniões do conselho curador do fundo.
Travessia
No final do discurso, o vereador ainda questionou como a Equipav Engenharia S/A pode pegar o serviço que era da Objetiva Engenharia que se encontra em processo de recuperação judicial com dívidas que ultrapassam R$ 19 milhões.
"Outro ponto estranho na negociação é que tanto o ex-prefeito Zé Carlos do Pátio quanto o dono da Objetiva Engenharia, Francisco Henriques, disseram que não tinha sido feita metade da obra na entrevista realizada na ACIR (Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Rondonópolis), meses depois de não ser feito nada na obra, agora temos uma empresa que irá conclui-la, mas só pode executar 30% do serviço que fora contratado pela detentora do contrato, ou seja, como pode só fazer 30 e concluir se antes tinha mais de 50% a ser executado?", questionou.
Segundo ele, informações do portão transparência revelam que pelo convênio formado com o Ministério dos Transportes já foram liberados R$ 43,8 milhões para a prefeitura, faltando apenas R$ 7,1 milhão para completar o repasse.
"A população precisa saber quanto foi pago para a Objetiva e quanto tem na conta da prefeitura e se o valor dá para pagar os serviços da Equipav. Enquanto ficam várias dúvidas no ar, a obra que era para ser o cartão postal da cidade agora é a vergonha da população", finalizou.
A obra da travessia urbana foi paralisada em abril, depois que foram denunciados problemas no asfalto feito pela Objetiva e que a outra via, onde passava a estrada antiga, o asfalto precisava ser todo refeito, incluindo a sub-base.
((Com informações da assessoria)