OPINIÃO
Anúncios mais caros em 2026: quando o imposto expõe a falta de estratégia no tráfego pago
06 de Janeiro de 2026, 06h00
2026 ainda nem começou, mas já impõe uma mudança que deve alterar de forma significativa a maneira como as empresas investem em mídia digital. A partir de janeiro, a Meta passará a repassar aos anunciantes brasileiros os impostos que antes absorvia. O efeito prático é direto: anunciar no Facebook e no Instagram ficará, em média, cerca de 12,5% mais caro.
Para quem imaginava que o ambiente digital oferecia algum tipo de blindagem contra novos encargos, a notícia funciona como um alerta. Não se trata apenas de um ajuste contábil ou de um detalhe técnico na fatura. O imposto passa a interferir diretamente no volume real de mídia entregue, no custo por aquisição e, principalmente, na margem dos negócios que dependem fortemente do tráfego pago para crescer.
O ponto mais sensível é que esse aumento não traz nenhuma contrapartida em performance. O anunciante pagará mais para disputar o mesmo espaço em um leilão que já vinha se tornando mais concorrido e caro nos últimos anos. Se o orçamento não for revisto, menos dinheiro chegará à mídia. O resultado tende a ser previsível: queda no alcance, menos conversões e um CPA mais alto.
Esse impacto costuma aparecer de forma silenciosa. Muitas empresas só percebem o problema quando os resultados começam a piorar, sem entender exatamente o motivo. Um orçamento mensal que antes sustentava determinado volume de leads passa a ser corroído por impostos, reduzindo a eficiência geral da operação. Para negócios de médio porte, que operam com margens ajustadas, essa diferença pode comprometer o retorno sobre investimento e até inviabilizar campanhas que antes eram sustentáveis.
Nesse novo cenário, planejar deixa de ser uma recomendação e passa a ser uma exigência básica. Não basta simplesmente aumentar o orçamento em 12,5%. É necessário entender como cada etapa do funil responde ao custo da mídia. Quanto mais caro fica o clique, mais caro se torna cada falha do processo. Landing pages mal estruturadas, ofertas genéricas e funis rasos deixam de ser apenas ineficientes e passam a representar desperdício direto de dinheiro.
O próprio algoritmo das plataformas deixa isso claro. Ele aprende a partir dos sinais que recebe. Se a empresa insiste em otimizar campanhas apenas para cliques ou conversas superficiais, continuará atraindo curiosos. Com o custo da mídia mais alto, esse erro se torna ainda mais caro. A eficiência passa a depender da capacidade de qualificar melhor o tráfego, otimizar conversões reais e devolver às plataformas informações que indiquem quem, de fato, vira cliente.
Outro ponto que ganha força com esse aumento é a necessidade de reduzir a dependência de um único canal. Durante muitos anos, o Meta Ads foi tratado como solução quase universal para aquisição de clientes. Com os custos em alta, essa concentração se mostra arriscada. Diversificar não significa abandonar Facebook ou Instagram, mas avaliar com mais critério onde o investimento gera melhor retorno.
Plataformas como Google Ads, TikTok e até estratégias de SEO e conteúdo orgânico passam a ter papel estratégico na composição do custo médio de aquisição. O melhor canal deixa de ser o mais popular e passa a ser aquele que entrega resultado dentro da realidade de cada negócio. Essa análise exige testes, leitura de dados e uma visão mais ampla do marketing como sistema, e não como execução isolada.
No fim das contas, o repasse do imposto funciona como um catalisador. Ele não cria o problema, apenas escancara fragilidades que já existiam. Empresas que sempre trataram tráfego pago como gasto, sem planejamento e sem integração com o funil de vendas, sentirão o impacto de forma mais dura. Já aquelas que encaram mídia como investimento estratégico terão mais condições de absorver o aumento e se adaptar.
O custo da publicidade digital sobe, mas a responsabilidade de quem anuncia sobe junto. Em 2026, não será o imposto que separará quem cresce de quem fica pelo caminho. Será a capacidade de planejar, otimizar e tomar decisões estratégicas em um ambiente cada vez mais caro e competitivo.
*Marcelo Freitas é bacharel em Ciência da Computação, consultor de tráfego pago e fundador da Spot-A Marketing. É expert em tráfego pago estratégico para empresas que buscam captar leads e vender através da Internet.