TRAGÉDIAS
O que as mortes de Teori e Marisa têm em comum
06 de Fevereiro de 2017, 16h27
Em janeiro morreu o então ministro do Supremo Tribunal Federal relator dos processos da Operação Lava Jato, Teori Zavascki. Em fevereiro quem partiu foi a ex-primeira dama Marisa Letícia, esposa e companheira de militância há 43 anos de Lula. Duas fatalidades marcantes já neste início de 2017. Mais que isso, involuntariamente impactantes no cenário político do Brasil em 2018.
Os sucessivos momentos de luto trazem em segundo plano significativa grandeza política e histórica em ambos os episódios. Primeiramente sobre Teori, Buxixo já comentara, ficamos todos, mais que perplexos, preocupados.
Como fica a Lava Jato? Como fica a justiça aos políticos comprovadamente corruptos? Como fica a esperança de derrota dos delatados, da mais alta cúpula ao mais baixo escalão? Teriam vencido?
Como dito por esta coluna, ainda impossível saber. O ministro Edson Fachin foi transferido para a turma que julga os processos, mas a nomeação abriu brecha. O presidente Michel Temer, então, indicou o atual ministro da Justiça Alexandre de Moraes para o cargo que era ocupado por Zavascki. Ainda há muita incerteza quanto as intenções das Casas.
Fato que delatados impunes serão, certamente, candidatos nas eleições do próximo ano. É aí que chegamos ao aspecto político. Disputarão cargos de governadores de Estado, deputados estaduais e federais, presidente... Não haverá limite caso não haja Justiça.
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Falemos de Lula. O ex-presidente se mostra forte e discursou em tom efusivo durante o velório de Marisa. Em suas palavras, disse que a companheira fora vítima de "canalhice". Desabafou.
O tom, dadas as evidentes proporções, fora semelhante ao utilizado por Lula quando disse "a jararaca está viva", dias após sua condução coercitiva arquitetada pela Polícia Federal durante a 24ª fase da Operação Lava Jato.
A declaração causara impacto, e esta nova causará ainda mais. Não se trata de utilização política da tragédia. Trata-se de um sentimento compartilhado.
Lula poderá voltar à política. Há quem aposte que sim mesmo na atual situação. Se o fizer, será impossível não fazer menção ao que disse o ex-presidente, pois ela é movida pela comoção popular. Ainda que o candidato evite, se não partir dele, partirá das ruas.
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Tanto a tragédia de Teori quanto a de Marisa mobilizam a política. Causam furor. É natural. Com o perdão da frieza, ambas têm potencial comum: o de mudar, novamente, o Brasil.