DENÚNCIA
Vereador sugere abertura de uma CPI para investigar pagamentos ilegais
Thiago Muniz (PPS) disse que isso é um desrespeito aos profissionais qualificados
06 de Março de 2017, 17h01
Na sétima reunião extraordinária da Câmara de Vereadores de Rondonópolis, realizada a princípio para votar o projeto de Lei nº 50 de autoria do Poder Executivo, o vereador Thiago Muniz (PPS) aproveitou o espaço na tribuna para denunciar a falta de respeito com a classe médica.
"Não quero acreditar que vamos acabar abrindo uma Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI, para apurar o que está sendo feito pelo Executivo. Até agora só vemos o Zé do Pátio dizer que vai convocar 'gradativamente' os aprovados no concurso público e nada. Recebemos informação de que médicos e outros profissionais da saúde estão passando suas contas particulares para que sejam pagos seus salários, com atraso, por sinal. É uma falta de respeito com esses profissionais", denunciou o vereador Thiago Muniz.
As informações são de que os contratos que finalizaram em dezembro de 2016, continuam sendo executados, só que sem vínculo algum desses profissionais da saúde (UPA, Ceadas, PA Infantil, Nefrologia, SAE e outros setores especializados).
Um funcionário da UPA, que não quis ser identificado, informou que alguns médicos que têm empresas, acabaram assumindo parte dos pagamentos de outros médicos, enfermeiros e técnicos que trabalham nas unidades especializadas. "Nós não temos patrão, não sabemos quanto e quando receberemos nossos salários, e nem por quanto tempo estaremos empregados, aliás, nem empregados, mas trabalhando assim, meio clandestinamente já que nenhum de nós tem vínculo empregatício".
O funcionário da UPA disse ainda que todos estão apreensivos, já que não têm nem como comprovar renda ao fisco. "Somo fantasmas, não temos contrato, nem chefe nem garantias. . .", disse o trabalhador.
Outra fato relatado pelo profissional da saúde é que todos que estão nesta situação se sentem ameaçados e com medo de fazer denúncia. Além disso, muitos foram aprovados no concurso público e aguardam a convocação.
Como única prova de que continuam trabalhando nas unidades de saúde, os servidores que garantem o atendimento em várias unidades, fotografam as escalas de trabalho. "Esta é a garantia que temos, fora isso, somos clandestinos, fantasmas, nem existimos para ninguém", desabafa o enfermeiro.