BILHETE PREMIADO
Operação da PF e Receita Federal derruba grupo suspeito de usar casas lotéricas para lavar dinheiro
Entre os investigados pelos depósitos ilegais, há alvos de operações anteriores da PF, como da Operação Ararath e da Operação Hybris
06 de Março de 2024, 08h41
Nesta quarta-feira(06), a Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, iniciou a Operação Bilhete Premiado com o objetivo de desmantelar um grupo criminoso que utilizava casas lotéricas para lavagem de dinheiro em três cidades de Mato Grosso: Várzea Grande, Vila Bela da Santíssima Trindade e Pontes e Lacerda.
A operação resultou na execução de 10 mandados de busca e apreensão autorizados pela 5ª Vara Federal do estado, e no bloqueio de bens, alcançando um total de até R$ 106 milhões. Segundo as investigações, as casas lotéricas eram usadas para esconder dinheiro obtido ilegalmente, incluindo corrupção e tráfico de drogas.
Entre os investigados pelos depósitos ilegais, há alvos de operações anteriores da Polícia Federal, como da Operação Ararath (que investigou a prática de “mensalinho” de integrantes da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso) e da Operação Hybris (deflagrada para coibir a distribuição de drogas na região de fronteira com a Bolívia, em esquema de tráfico internacional de cocaína).
Depósitos de milhões de reais em espécie foram identificados pela PF. Os valores eram incompatíveis com o patrimônio declarado pelos depositantes. Segundo a PF, era comum que os saques desses valores fossem realizados no mesmo dia ou nos dias imediatamente seguintes aos depósitos, com o objetivo de dificultar o rastreamento pelas autoridades competentes.

A apreensão de bens e valores segue as diretrizes de descapitalização do crime organizado, além de contribuir para a completa identificação dos envolvidos e beneficiários da lavagem de capitais.
O crime de lavagem de bens, direitos e valores, previsto no artigo 1º da Lei 9.613/98, prevê pena de prisão, de 3 a 10 anos, e multa.