Prevenção

No Dia Mundial de Combate ao Câncer especialista alerta sobre câncer de pâncreas

No Brasil, o tumor pancreático é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados

por GazetaMT

06 de Abril de 2016, 15h17

No Dia Mundial de Combate ao Câncer especialista alerta sobre câncer de pâncreas
No Dia Mundial de Combate ao Câncer especialista alerta sobre câncer de pâncreas

A ecoendoscopia faz o diagnóstico e retira ao mesmo tempo o material das lesões suspeitas do pâncreas", enfatiza Barreto.No dia 8 de abril acontece o Dia Mundial de Combate ao Câncer e para conscientizar a importância do diagnóstico precoce da doença, o presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva em Mato Grosso (Sobed-MT) e diretor técnico do Centro de Endoscopia Cuiabá (CEC), Roberto Barreto, alerta sobre um dos tumores mais agressivos e de difícil diagnóstico: o câncer de pâncreas.

 No Brasil, o tumor pancreático é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% das mortes pela doença - 8.710 pessoas - segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

De acordo com o presidente da Sobed-MT, o câncer no pâncreas é uma doença assintomática em suas fases iniciais,  por isso é importante fazer  exames e prevenção para detecção precoce, tendo em vista tratar-se de câncer de alta letalidade.

"Exames como ultrassom, tomografia e ressonância fazem o diagnóstico, porém o melhor e mais preciso exame no diagnóstico é a ecoendoscopia, pois é superior a tomografia e a ressonância no diagnostico precoce do câncer de pâncreas. O CEC é pioneiro e único no Mato Grosso a disponibilizar o exame há 9 anos. A ecoendoscopia faz o diagnóstico e retira ao mesmo tempo o material das lesões suspeitas do pâncreas", enfatiza Barreto.

O pâncreas é uma glândula do aparelho digestivo, localizada na parte superior do abdome e atrás do estômago. É responsável pela produção de enzimas, que atuam na digestão dos alimentos, e pela insulina - hormônio responsável pela diminuição do nível de glicose (açúcar) no sangue. É dividido em três partes: a cabeça (lado direito); o corpo (seção central) e a cauda (lado esquerdo). A maior parte do casos de câncer de pâncreas localiza-se na região da cabeça do órgão.

Segundo o especialista o câncer de pâncreas não apresenta sinais específicos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Os sintomas dependem da região onde está localizado o tumor, e os mais perceptíveis são: dores abdominais de leve ou forte intensidade que irradiam para as costas, icterícia, perda de apetite e de peso, cansaço, anemia e diabetes tipo 2.

O câncer de pâncreas tem um mau prognóstico de sobrevivência em grande parte porque muitas vezes passa despercebido por muito tempo, dando-lhe tempo para se espalhar.  Roberto Barreto esclarece que apenas com o diagnóstico precoce, o paciente tem maiores chances de cura. Em casos de detecção tardia, o tempo de sobrevida varia entre seis meses a cinco anos. 

  "A prevenção é a melhor forma de se cuidar. O diagnóstico tardio dificulta o tratamento oncológico, diminui as chances de cura e interfere na qualidade de vida dos pacientes", destaca o médico.

 

Fatores de risco

Entre os fatores de risco, destaca-se principalmente o uso de derivados do tabaco. Os fumantes possuem três vezes mais chances de desenvolver a doença do que os não fumantes. Dependendo da quantidade e do tempo de consumo, o risco fica ainda maior. Outro fator de risco é o consumo excessivo de gordura, de carnes e de bebidas alcoólicas. Como também a exposição a compostos químicos, como solventes e petróleo, durante longo tempo.

Há um grupo de pessoas que possui maior chance de desenvolver a doença, e estas devem estar atentas aos sintomas. Pertencem a este grupo indivíduos que sofrem de pancreatite crônica ou de diabetes melitus, que foram submetidos a cirurgias de úlcera no estômago ou duodeno ou sofreram retirada da vesícula biliar.

Ecoendoscopia

Considerado pela medicina como um dos melhores procedimentos para a análise do pâncreas e das paredes do estômago, a ecoendoscopia é grande aliada na prevenção do câncer de pâncreas. Além disso, é o único exame que permite a coleta de material das lesões suspeitas através da punção ecoguiada com agulha fina explica Roberto.

Também é conhecido como ultrassonografia endoscópica, o exame reúne ultrassom e endoscopia no mesmo procedimento. Um dos diferenciais é a utilização de ondas sonoras de alta frequência, que permitem a melhor definição das imagens dos órgãos do paciente. O aparelho é introduzido pela boca e ao chegar no estômago, o endoscopista liga o probe do ultrassom para visualizar órgãos que estão atrás, como é o caso do pâncreas, vesícula, e outros. O procedimento tem duração média de 30 a 90 minutos e é realizado no paciente sob sedação.

Em Mato Grosso, a ecoendoscopia pode ser encontrada no Centro de Endoscopia Cuiabá (CEC) e, inclusive, alguns planos de saúde já disponibilizam a cobertura do procedimento.