CAFÉ NO GAZETAMT
Como o bacalhau mudou a vida do chef Luís Lima
Personagem do segundo episódio da série especial conta este e outros casos vividos no ramo da gastronomia
06 de Abril de 2018, 13h27

Aos 36 anos de idade, o então vendedor Luís Lima foi ousado. Serviu nada menos que bacalhau para um autêntico português. A ideia deu certo, recebeu elogios de genuína propriedade e descobriu naquele momento que o hobby da culinária era, na verdade, um potencial projeto de carreira. Se formou em Gastronomia em Brasília e especializou em São Paulo para se tornar uma referência na área.
O hoje chef Luís Lima foi o personagem do segundo episódio da série especial 'Café no GazetaMT'. Pouco mais de uma hora de boa e humorada conversa. Nosso entrevistado contou alguns casos, como o do risoto de cachorro quente. "O filho de uma cliente só comia isso, cachorro quente, pão, salsicha... peguei os ingrediente e acabei 'inventando' o prato. No fim, a criança comeu (risos)".
Tem mais, muito mais. Antes, porém, ao início. Luís Lima aprendeu a cozinhar em casa. "Minha família inteira cozinha, as mulheres e os homens. Minha mãe foi uma grande inspiradora. Hoje, nos almoços de domingo, quem cozinha sou eu, mas quando é a vez dela ninguém mexe", diz. Daí, o gosto natural o levou aos estudos.
Lima cursou Gastronomia no Centro Universitário Iesb. De lá, conseguiu uma vaga de estágio em São Paulo e se aperfeiçoou. Levou, conta ele, pratos mato-grossenses para outros Estados. "A culinária mato-grossense pra mim é a melhor de todas, sou muito regionalista, gosto de usar o que a nossa terra nos dá. Gosto de usar quiabo, maxixe, abobora...", diz. Pôde até ensinar a um professor como se faz uma legítima farofa banana. "Este professor costumava usar a banana crua, lá muita gente faz isso. Quando já estava em Cuiabá comprei um livro de culinária regional e enviei a ele com a dedicatória: 'você em ensinou muito, mas este livro vai te ensinar a fazer uma farofa de banana'".
Em Rondonópolis, o chef comandou e cozinha do extinto restaurante Simples Artes. "Emblemático", diz ele. "Ali aprendi muito, apanhei muito e conquistei muito. Por isso sou grato a Rondonópolis, ao mercado aqui. Nós cozinheiros sofremos com o modismo do público, que de repente desaparece de um lugar e vai pra outro, depois volta. É um desafio", diz. Atualmente, ele presta consultoria de cozinha no longe bar Oficina e se encaminha para a cozinha de um novo empreendimento, além da produção de vídeos culinários para a internet e projeto social de aulas de cozinha gratuitas. "Vou trazer elementos de cultura indígena neste próximo projeto, além de pratos com poucas calorias", anuncia.
Sobre a chamada nova cozinha, a "gourmet", o chef faz uma crítica. "Fico incomodado por conta da cultura do desperdício. Perde-se muito, pois se o corte não está milimetricamente exato o produto é dispensado. A gente tem que pensar nisso, no quanto a própria empresa deixa ganhar por conta deste hábito". E vai além, desta vez sobre a onda dos realities shows culinários da TV. "Esses programas tem um lado bom, tira muita gente da preguiça, inspira a cozinhar. Mas não se pode achar que ali é mostrado de verdade o que é a profissão, as dificuldades da cozinha, nosso dia a dia. São só para entretenimento".
Outro caso, ainda sobre os programas de TV. "Uma vez um cliente disse que meu prato estava over. Se incomodou porque a apresentação não estava igual à da televisão. Ele havia visto o prato no Masterchef (programa de TV culinário)".
Por fim, o amor à profissão que lhe apareceu, como o mesmo diz, tarde. "Hoje me vejo fazendo isso pro resto da vida. Nada de ficar na frente de um computador". Doce ou salgado, pergunta a reportagem. "Salgado. Sempre", responde o chef.
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O projeto 'Café no GazetaMT' será publicado no site todas as sextas-feiras.