Polêmica
Após troca de acusações, vereadores adiam decisão sobre antecipação de eleição na Câmara Municipal
Membros da Mesa Diretora deixaram o plenário em manobras para influenciar resultado da votação, que acabou transferida para a próxima semana
06 de Agosto de 2014, 21h49
Um intricado 'jogo regimental' acabou impedindo nesta quarta-feira (06) a votação do Projeto de Resolução 04/2014, que autoriza a antecipação da eleição para a escolha da nova mesa diretora da Câmara Municipal de Rondonópolis. Apesar de ter maioria simples (11 vereadores), o grupo que deseja a antecipação acabou ficando em desvantagem e, para não ter o projeto derrotado em plenário, optou por obstruir a votação e adiá-la para a próxima sessão ordinária, na semana que vem.
A reviravolta ocorreu principalmente devido a ausência do presidente Ibrahim Zaher (PSD), que não compareceu à sessão alegando a necessidade de acompanhar o tratamento de saúde do filho recém-nascido.
Na ausência do titular a presidência deveria ser ocupada pelo vice-presidente, Mauro Campos (PT), que faz parte do grupo que pleiteia a antecipação. Mas, como o regimento prevê também que o presidente da Câmara só pode votar em caso de empate, Campos ficaria impedido de participar - deixando o grupo sem a maioria simples necessária à aprovação do projeto.
A norma regimental acabou criando uma situação atípica. Mauro Campos e também o secretário-geral Tiago Silva (PMDB) deixaram o plenário numa estratégia para não serem convocados para a presidência. O segundo vice-presidente, Rodrigo da Zaeli (PSDB), e o segundo secretário, Aristóteles Cadidé (PDT), chegaram a conduzir a sessão por um período, mas também optaram por deixar o recinto pelo mesmo motivo.
Como não havia nenhum membro da Mesa Diretora no plenário, a presidência acabou sendo ocupada pelo vereador Jailton do Pesque-Pague (PDT), que é o mais idoso. Ele comandou a sessão por poucos minutos e aproveitou para fazer um desabafo.
"Estou me sentindo usado e exijo respeito. Acho que essa situação envergonha essa Casa perante os cidadãos que estão acompanhando esta sessão. Não admito essa baixaria", disse.
Jailton ainda tentou suspender a sessão para que os colegas discutissem o impasse, mas seu desabafo acabou surtindo efeito e todos os vereadores retornaram para dar sequência à sessão.
Ataques e protelação
A volta dos parlamentares não acalmou a tensão. Integrantes dos dois grupos se sucederam na tribuna para explicar a situação, numa intensa troca de ataques e acusações.
"Estão tentando aplicar um golpe nesta Casa. O Mauro Campos e o Thiago Silva se esconderam na sala ao lado para não assumir a presidência. Acho que todos têm o direito de se articular para vencer a votação, mas é preciso que isso seja feito de forma correta", disse Tiago Muniz (PPS).
Já na função de presidente, Mauro Campos reclamou e conseguiu que Tiago Muniz se retratasse da acusação de golpismo. Irritado, ele reconheceu que os dois lados participavam de um jogo e também cobrou respeito.
"O jogo é um projeto que já reuniu 12 vereadores e agora tem 11 votos para ganhar a Mesa Diretora. Mas a bancada do prefeito ainda pode tentar vencer. O que não vamos admitir é que subestimem nossa inteligência e autonomia", declarou.
Cientes de que não teriam a maioria necessária à aprovação do projeto antecipando a eleição ou mesmo para a retirá-lo da pauta, os parlamentares que defendem a proposta iniciaram uma nova manobra para impedir que a proposta fosse colocada em votação até as 18h30 - horário limite para o encerramento da sessão. O vereador Reginaldo Santos (PPS) ainda tentou requerer a prorrogação da sessão, mas o pedido sequer foi votado.
"Hoje o Ibrahim não pôde vir e houve esse imbróglio todo. Mas não tem problema não, se Deus quiser o filho dele vai se recuperar e na próxima semana tudo volta ao normal. O Ibrahim estará aqui, terá de colocar o projeto em votação e nós vamos ganhar", disse o vereador Fulô (PMDB), um dos líderes e também o candidato a presidência do grupo que pleiteia a antecipação da eleição.