CÂMARA FEDERAL
Mais de 50 deputados do PT votam em proposta contrária aos interesses do governo
55 dos 59 deputados da bancada petista na Câmara votaram favoráveis a PEC que custará mais de R$ 2 bilhões aos cofres públicos
06 de Agosto de 2015, 09h29
A Câmara Federal, contrariando o direcionamento do governo federal de evitar pautas-bomba, deixou claro que não será uma aliada na missão de estabilizar o país este ano. Na madrugada desta quarta para quinta-feira os deputados aprovaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 443, uma proposta que equipara os salários de funcionários da Advocacia Geral da União (AGU), defensores públicos e da polícia federal e civil aos dos ministros do Supremo. A PEC pode custar R$ 2,45 bilhões por ano aos cofres públicos. Neste momento delicado da economia, a decisão não agradou o Palácio do Planalto.
Na Câmara foram computados 445 votos a favor e somente 16 contrários à proposta de reajuste, além da seis abstenções. Até os deputados do PT se mostraram indiferentes a situação econômica do país e votaram favoráveis.
Joaquim Levy, atual ministro da Fazenda, já havia reforçado a ideia de que deveria haver cooperação dos parlamentares para assegurar uma recuperação da economia. "A situação econômica é séria. A situação fiscal é séria", reforçou Levy, depois de se reunir com o peemedebista e vice-presidente Michel Temer.
Se o projeto for aprovado no Senado, os servidores públicos poderão ter um reajuste de até 66%, valor considerado "muito elevado e inoportuno para o momento atual do país" em nota pelo ministério do Planejamento. "Não é adequado propor reajustes dessa magnitude no momento em que várias empresas e trabalhadores enfrentam dificuldades (...)", dizia a nota.
Veja como votaram os deputados do PT aqui.
Além da derrota do governo referente a votação da PEC 443, há outras três propostas em tramitação no Congresso que ameaçam a estabilidade do país e concedem o mesmo benefício a outras carreiras do Poder Executivo, como a Polícia Civil e Federal do Distrito Federal (PEC 240/2013), e para auditores da Receita Federal e Fiscal federal Agropecuário (PEC 391/2014). O Governo estima que o impacto fiscal total desses quatro projetos em tramitação seja de R$ 9,9 bilhões ao ano.