NO COLO
Recuada dos delatados pode abrir os caminhos aos “ilesos” em 2018
06 de Setembro de 2017, 15h26
A delação "monstruosa" do ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa -PMDB, pode mudar significativamente o quadro de protagonistas políticos das eleições de 2018. Já é cogitada a recuada de alguns dos citados no depoimento prestado junto à Procuradoria Geral da República -PGR.
É o caso do atual senador Wellington Fagundes -PR, citado em suposta participação em esquema de desvio de dinheiro do programa MT Integrado. Segundo Silval, o até então aliado político recebeu propina do programa destinado, teoricamente, a projetos de infraestrutura.
O senador nega. Diz desconhecer o teor das afirmações de Silval à Justiça e que irá se posicionar quando tiver acesso à delação premiada. Enquanto não se manifesta por completo, sente, entretanto, distanciar das mãos a possibilidade de candidatura forte ao Governo do Estado, seu projeto político para 2018.
O senador Cidinho Santos -PR teve áudio grampeado. Fora recebido por Silval na cadeia no dia 22 de abril. Segundo o delator, o senador teria dito que o governador Pedro Taques (PSDB), o 'número 1 PTX', Wellington Fagundes (PR) e o atual ministro Blairo Maggi (Agricultura) poderiam agir para barrar a Operação Ararath - investigação sobre corrupção, desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro que levou Silval à prisão.
Outro citado foi o atual vice-governador Carlos Fávaro -PSD, que teria participado de negociata junto ao ex-ministro da Agricultura Neri Geller -PMDB. "Em nenhum momento, essa negociação envolveu transferência de valores. (...) Silval Barbosa deve ter tido conhecimento da dívida que Neri Geller possuía e faz agora mentirosas ilações para justificar sua delação, confundindo propositalmente a realidade dos fatos", disse em sua defesa. Fávaro, ao que tudo indica, tentará vaga no senado.
O ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes -PSB, também deltaddo, confirmou ter participado de uma reunião com Silval Barbosa e o então candidato Pedro Taques, na eleição de 2014, em sua casa. O delator o acusou de ter pedido R$ 20 milhões para campanha tucana e que, em troca, Taques não investigaria os problemas de sua gestão. Em resposta, Mendes chamou Silval de "bandido".
Quem sobra?
Dos principais candidatos, neste momento, a Governo e Senado: segue ileso da delação o atual senador suplente José Medeiros (Podemos), que já confirmou busca á vaga em defiitivo no Legislativo Federal.
Outro é o deputado federal Adílton Sachetti -PSB, que já pode usar em seu favor ter abandonado a tempo a Agência de Execução de Projetos da Copa de 2014 -Agecopa, hoje delatada por Silval como brecha para esquemas de corrupção. Sachetti, neste novo cenário, foi especulado como candidato ao Governo, apoiado -publicamente ou não- por Blairo Maggi.
O ex-prefeito de Rondonópolis, Percival Muniz -PPS, cotado a cargo estadual (Governo ou Assembleia), também escapou da delação.
Por último, o ex-senador Jayme Campos -DEM. Recentemente deu a seguinte declaração sobre o rumo das eleições após o efeito Silval Barbosa. "Vamos ver quem morreu até lá, quem está preso e quem estará de tornozeleira. Ai nós vamos ter um cenário real".