equívoco

Câmara entrega honraria para homem que cumpriu pena por assassinato do melhor amigo

A honraria existe para homenagear pessoas de boa índole e que trabalham em prol da sociedade local, foi proposta pelo vereador Davi Lemes

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07 de Janeiro de 2014, 07h37

Câmara entrega honraria para homem que cumpriu pena por assassinato do melhor amigo
Câmara entrega honraria para homem que cumpriu pena por assassinato do melhor amigo

A honraria, que existe para homenagear pessoas de boa índole e que trabalham em prol da sociedade local, foi proposta pelo então vereador Davi Lemes (PSC)A entrega de um título de Cidadão Rondonopolitano feito pela Câmara Municipal no último dia 12 de dezembro passado ao empresário João Carlos de Lima tem gerado muita polêmica.  A honraria, que existe para homenagear pessoas de boa índole e que trabalham em prol da sociedade local, foi proposta pelo então vereador Davi Lemes (PSC) e aprovada pelos demais vereadores.

De acordo com Marchiane Tenório Fritzen, autora da denúncia, o empresário homenageado teria cumprido pena por um assassinato o crime que teria acontecido há 24 anos, quando ela tinha apenas 9 anos de idade e João Carlos era o melhor amigo de seu pai na época. "Os dois viviam juntos. Tomavam chimarrão todos os dias. Nossos finais de semana sempre eram juntos, nossa família e a dele. Um belo dia, meu pai saiu para tomar chimarrão com o amigo, e nunca mais voltou. Ficamos sem notícias do meu pai por quase dois meses, nesse período achamos apenas o carro, documentos e cheques queimados próximos ao Rio das Mortes", afirmou.

Ainda de acordo com ela, João Carlos confessou ter matado o amigo e cumpriu pena por três anos. "Eu questiono essa homenagem. Que Câmara é essa que homenageia assassinos? Não buscam saber quem são essas pessoas? Não se pede antecedentes? Que critérios adota? É a política que define quem é bom e quem é ruim? É a política que define quem merece um título desse, que ate então eu via como uma verdadeira homenagem? Hoje, vejo como uma piada", desabafou.

Procurado pela nossa reportagem, o agora suplente de vereador Davi Lemes afirmou que não tinha conhecimento do crime cometido pelo seu homenageado, mas se mostrou irredutível quanto à revogar a homenagem. "Eu não tinha conhecimento do ocorrido. Conheço ele (João Carlos) há dez anos, ele é da (igreja) Assembleia de Deus. Conheço dele o lado cidadão, do empresário que ajuda as pessoas. Quando soube, fiquei pasmo, mas se ele realmente cumpriu a pena e procura se reinserir na sociedade, foi reconstruído, eu acho que ele é um bom exemplo para a sociedade", afirmou.

Segundo Lemes, caso tivesse conhecimento prévio do passado de seu homenageado, não teria proposto a homenagem, mas se disse 'constrangido' em pedir a revogação da honraria e disparou contra o Legislativo. "Entendo a dor da perda da família, mas fiz a indicação na mais pura boa intenção. Se houve erro, foi da própria Câmara, pois teriam que analisar melhor o currículo dos indicados à receber honrarias. Acho que isso desmoraliza a própria Câmara", opinou.

Já o presidente da Câmara, Ibrahim Zaher (PSD), afirmou que a indicação dos homenageados e a confecção do currículo dos mesmos é de responsabilidade dos próprios vereadores, mas não existe uma investigação mais apurada sobre a vida pregressa dessas pessoas. "Nós vamos procurar aumentar o rigor na pesquisa sobre a vida dessas pessoas, para evitar que novos casos como esse aconteçam. A minha ideia, que quero debater com os demais vereadores, é criar uma comissão especial para averiguar melhor os antecedentes das pessoas que receberão comendas", defendeu.

Ainda segundo ele, a Mesa Diretora já solicitou um parecer do departamento jurídico da Câmara e deve propor a revogação da comenda. "Como esses títulos são votados em plenário, a revogação também tem que ser votada pelos vereadores. A lição que tiramos de situações como essa é que precisamos provocar uma discussão mais aprofundada sobre os critérios para concessão de títulos e honrarias", concluiu.