Recursos

AMM deve recorrer da decisão que suspende divisão do Fethab

Lei que dividia recursos entre municípios e governo foi suspensa. Presidente da AMM afirma que municípios já contavam com recursos

por GazetaMT

07 de Janeiro de 2015, 08h50

AMM deve recorrer da decisão que suspende divisão do Fethab
AMM deve recorrer da decisão que suspende divisão do Fethab

A Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) deve recorrer da decisão da Justiça Estadual de Mato Grosso que, por meio de liminar do juiz Gilberto Bussiki, considerou inconstitucional a lei 10.051/2014. A lei, que havia sido proposta pela Assembleia Legislativa e entraria em vigência no dia 1º de janeiro de 2015, divide os recursos do Fundo de Transporte e Habitação (Fethab) entre os municípios e o governo do estado, pela Secretaria de Infraestrutura e Logística.

O pedido de inconstitucionalidade foi feito pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) e pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) em caráter de urgência, no dia 30 de dezembro, e acatado pelo juiz no dia 31.

Os representantes da AMM pediram acesso ao processo no Tribunal de Justiça e pretendem recorrer da decisão até a sexta-feira (9).

Segundo o presidente da AMM, Valdecir Luiz Colle, a maioria dos municípios já contava com os recursos do fundo para o orçamento de 2015. "É uma frustração muito grande nesse sentido. Cerca de 95% dos municípios já estão com o orçamento definido", diz.

 

Colle ressalta que o fundo será usado com a finalidade para que foi criado: habitação e transporte. Ele afirma que, se distribuído aos municípios, os recursos serão investidos na manutenção de estradas vicinais e, com isso, o estado economizaria não somente com a manutenção dessas rodovias, como também no envio de óleo diesel para as cidades.

"Tem mais de dois anos que quem repara as estradas do estado são as prefeituras. A Aprosoja foi muito infeliz neste pedido, porque os recursos aplicados pelo governo serão aplicados para recuperação de estradas", destaca Colle.

Conforme explica o presidente da Aprosoja, Ricardo Tomczyk, a ação proposta à Justiça inclui suspender os efeitos de todas as leis que alterem a finalidade do fundo, como por exemplo financiamento de obras públicas e folha de pagamento de servidores públicos. Ele ressalta que o Fethab somente pode ser administrado pela Sinfra.

"Um fundo não pode ter sua finalidade desviada. Nosso pedido é que os recursos que foram usados para outra finalidade sejam recompostos para o fundo para serem usados em transporte e habitação, conforme capacidade do governo", diz

Tomczyk defende que as prioridades e fiscalização de investimentos do Fethab sejam definidas pelo seu Conselho e destaca que os municípios podem continuar auxiliando na pavimentação de estradas por meio de convênios e parcerias, como já é feito.

Já o secretário de Infraestrutura e Transporte, Marcelo Duarte, acredita que o estado perderia cerca de R$ 1,7 bilhão de investimento do Governo Federal, já que o Fethab também é usado como contrapartida para fazer empréstimos e convênios. "Entendemos que tecnicamente a repartição geraria perda de investimentos do estado, mas é uma decisão que cabe à justiça", comenta.

O presidente da AMM diz que a entidade está aberta a conversar com o Governo, "sem, contudo, abrir mão dos direitos dos municípios", conclui Valdecir Luiz Colle.

Com informações do Portal G1.