CRISE NA SAÚDE
UTI Pediátrica fecha as portas em Rondonópolis
Unidade em funcionamento na Santa Casa alega quatro meses sem repasse de verba do Estado
07 de Novembro de 2017, 16h00

Após um ano e dois meses em funcionamento na Santa Casa de Rondonópolis, a ala de Unidade de Terapia Intensiva -UTI pediátrica interrompe, a partir de hoje, 7, suas atividades. Sem repasse do governo do Estado, a ala, a reboque do restante do hospital custeado pela mesma fonte, também fecha as portas. A Santa Casa de Rondonópolis está em greve há 13 dias.
Sobre a UTI pediátrica, a dívida do Estado ultrapassa a casa dos R$ 5 milhões, referente aos últimos quatro meses de operação. O recurso é para o custeio dos salários dos profissionais e aquisição de materiais para assistência hospitalar. "É com muita tristeza que damos esta notícias, mas não temos mais opção. Estamos no caminho de desarticulação completa do nosso serviço", comunicou à imprensa o superintendente da Santa Casa de Rondonópolis, Heder de Souza. "Não temos plantonistas suficiente, não temos materiais para assistência hospitalar", lamenta.
Segundo o repassado, ao menos quatro médicos são necessários para que a unidade tenha capacidade de atender a 10 pacientes. Em meio à crise, apenas dois permanecem em atuação. "Os profissionais são de fora e estão há quatro meses aqui, sem receber. Não poderão mais trabalhar, por isso estamos fechando", afirma Luciano Oliveira, diretor clínico da Santa Casa.
Última opção
Sem salário, Rondonópolis tende a ser município evitado por profissionais, o que dificulta qualquer previsão de formação de uma nova equipe caso efetuado o repasse. "O profissional médico intensivista pediátrico é raro no país. Hoje a notícia que Rondonópolis não paga já circulou e, então, quando a gente faz contato a primeira pergunta é quando vai receber", diz Souza.
Oliveira completa: "Mesmo que o pagamento seja feito, não há tempo hábil para formar uma equipe, principalmente nesta situação de atraso salarial".
Dois pacientes instalados na UTI, um deles de etnia indígena, devem ser transferidos para outros hospitais. Logo após, a UTI pediátrica de Rondonópolis dá por encerrada as atividades.