CASO RODRIGO CLARO

Juiz marca audiência para abril e tenente acusada de tortura deve depor

Izadora Ledur de Souza Dechamps, prestara depoimento sobre o caso da morte do aluno-bombeiro Rodrigo Claro, pela primeira vez.

por Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

07 de Fevereiro de 2019, 08h54

Juiz marca audiência para abril e tenente acusada de tortura deve depor
Juiz marca audiência para abril e tenente acusada de tortura deve depor

Reprodução

O juiz Wladymir Perri, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar marcou para o dia 16 de abril, às 13h30, a realização da próxima audiência sobre o caso da morte do aluno-bombeiro Rodrigo Claro. Na ocasião, a tenente do Corpo de Bombeiros Izadora Ledur de Souza Dechamps, acusada da morte do jovem foi intimada a prestar depoimento.

Está será a primeira vez que a tenente presta esclarecimentos sobre o caso.

A tenente responde criminalmente pela morte do aluno, que ocorreu no dia 15 de novembro de 2016 após passar mal em uma aula prática realizada na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, na qual Ledur atuava como instrutora.

Além dela, outros cinco militares dos bombeiros foram denunciados.

Ledur também responde administrativamente. Um Conselho de Justificação foi aberto há pelo menos 1 ano e 10 meses com prazo de 40 dias de conclusão, no entanto, segue sem definição.

Desde a morte de Rodrigo, a tenete Izadora veio apresentando diversos atestados médicos, ficando afastada do trabalho e adiando a audiência por algumas vezes.

Em janeiro deste ano, poucos meses antes de completar dois anos de afastamento Ledur voltou a trabalhar, conforme assessoria dos bombeiros, na parte administrativa da corporação.

A última audiência do caso foi realizada em setembro do ano passado, onde foram ouvidas testemunhas de defesa da família Claro, incluindo os pais de Rodrigo.

A mãe de Rodrigo, Jane Claro, disse que, nesses mais de dois anos, além do sofrimento pela morte do filho, a família tem enfrentado uma luta para que a Justiça seja feita.

"Não é fácil! São mais de dois anos de um vazio imenso e de muita injustiça. É uma longa caminha, mas meu marido e eu não vamos desistir", declarou.

O caso

De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), Rodrigo demonstrou dificuldades para desenvolvimento de atividades como flutuação, nado livre e outros exercícios.

Com isso, Ledur utilizou de métodos reprováveis de tortura e intimidação, como forma de punir o jovem, nas práticas de exercícios.

“Os métodos abusivos praticados pela instrutora consistiram tanto de natureza física, por meio de caldos com afogamento, como de natureza mental utilizando ameaças de desligamento do curso”, como consta na denúncia.