OPINIÃO

Atividade física e Longevidade

por Max Wagner de Lima

07 de Fevereiro de 2026, 06h10

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Se existisse uma “pílula” capaz de reduzir o risco de morte e ainda melhorar o cérebro, o sono e a energia, ela se chamaria MOVIMENTO.

Essa frase não é hipérbole: traduz de forma simples o que décadas de pesquisa em saúde têm documentado. 

Longevidade não é apenas viver mais tempo, mas viver com autonomia, mobilidade, cognição preservada e proteção cardiovascular até idades avançadas. A atividade física consistente é um dos fatores modificáveis mais impactantes nesse processo, com efeitos mensuráveis sobre mortalidade, doenças cardiovasculares e funcionalidade ao longo da vida.

O que as evidências mais atuais dizem: 

Diretrizes base e recomendações: 

As instituições internacionais de saúde, como a American Heart Association (AHA), recomendam que adultos façam pelo menos 150 a 300 minutos por semana de atividade física aeróbica de intensidade moderada, ou 75 a 150 minutos por semana de atividade vigorosa, ou uma combinação equivalente. Além disso, deve-se incluir atividades de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias por semana.

Essas recomendações têm respaldo robusto em múltiplos estudos epidemiológicos e meta-análises: adultos que seguem esse padrão consistente de atividade apresentaram redução substancial do risco de mortalidade por todas as causas e de morte cardiovascular, em comparação a indivíduos inativos. 

Dose–resposta: mais movimento, mais benefício

Pesquisas mostram que o benefício da atividade física segue um padrão de dose–resposta: 

* Mesmo volumes moderados, como cerca de 75 minutos por semana, já se associam a uma diminuição significativa do risco de morte em comparação ao sedentarismo.

* À medida que o volume aumenta até valores próximos ou acima das recomendações (por exemplo, mais de 150 minutos/semana), os benefícios continuam a crescer, com uma tendência de *platô* acima de certo ponto, sem evidência consistente de prejuízo em altos volumes de atividade física. 

“Mais passos” significa melhor saúde!!!!!

Além de minutos de exercício formal, estudos recentes com pedômetros e acelerômetros reforçam que acumular passos ao longo do dia está associado a desfechos de saúde positivos. Em um estudo com mulheres idosas, caminhar pelo menos 4 000 passos por dia, mesmo em alguns dias da semana, foi associado a redução significativa no risco de morte e de eventos cardiovasculares em comparação com pessoas que caminham menos.

Esse tipo de evidência reforça a mensagem prática: mais passos é melhor; não precisa perfeição absoluta para começar a colher benefícios.

Aptidão cardiorrespiratória: um sinal vital de longevidade

Medidas de aptidão cardiorrespiratória frequentemente expressas em termos de VO₂masão um dos preditores mais fortes de risco futuro de mortalidade e eventos cardiovasculares. Em meta-análises, indivíduos com melhor condicionamento cardiorrespiratório apresentaram menor risco de morte por todas as causas e por causas cardiovasculares em comparação com aqueles com menor condicionamento. 

Variedade de modalidades traz mais benefícios

A literatura atual não se limita ao aerobico tradicional. 

Diretrizes emergentes apontam que um regime multifacetado combinando exercício aeróbico, resistência muscular, equilíbrio e flexibilidade está associado a benefícios maiores para a longevidade, especialmente em adultos mais velhos.

Por que isso funciona (explicação fisiológica simplificada)

A atividade física melhora a fisiologia do corpo de múltiplas formas:

Pressão arterial, glicemia e inflamação: O movimento regular ajuda a reduzir a pressão arterial, melhora o controle da glicose e diminui marcadores inflamatórios no sangue.

Massa muscular como “órgão endócrino”:O músculo esquelético libera substâncias benéficas (*miocinas*) que melhoram metabolismo e comunicação celular.

Mitocôndrias e envelhecimento metabólico:  O exercício estimula a biogênese mitocondrial, potencializando a eficiência energética celular e reduzindo estresse oxidativo.

Sono, saúde mental e cognição: A atividade física melhora a qualidade do sono e está associada a menor risco de depressão e declínio cognitivo.

Endotélio/vasos e proteção cardiovascular:O exercício melhora a função endotelial e a flexibilidade das artérias, fatores cruciais na prevenção de doenças cardiovasculares.

 Prescrição prática: do “mínimo eficaz” ao “ideal realista”: 

Aqui estão diretrizes práticas em termos leigos, organizadas em três “pacotes”:

1. Mínimo eficaz (para sair do zero)

Frequência:  diário

Intensidade:leve a moderada (andar rápido ou bicicleta leve)

Tempo:10–20 minutos por dia

Tipo caminhada, subir escadas, tarefas ativas

Força:2 sessões semanais curtas (exercícios de resistência com peso corporal)

Objetivo: reduzir o risco de doenças e começar a melhorar o condicionamento.

2. Padrão ouro (saúde e longevidade)

Frequência: 5–7 dias por semana

Intensidade:moderada a vigorosa

Tempo:150–300 minutos por semana (pode ser dividido em sessões de 30–60 minutos)

Tipo: caminhada rápida, corrida leve, bicicleta, natação

Força: 2–3 sessões/semana

Mobilidade/Equilíbrio: 2–3 sessões/semana

Objetivo: maximizar os benefícios cardiovasculares, metabólicos e funcionais.

3. Performance com segurança

Intensidade:incluir 1–2 sessões semanais de treinos intervalados (curtos e intensos), conforme avaliação clínica e perfil individual.

Progressão:aumentar gradualmente volume e intensidade sob orientação.

Esses pacotes seguem o princípio FITT-VP (Frequência, Intensidade, Tempo, Tipo, Volume, Progressão), mas explicados em termos acessíveis.

Segurança: triagem e sinais de alerta

Antes de iniciar ou intensificar um programa de exercícios, algumas pessoas devem considerar uma avaliação médica, especialmente se apresentarem:

* Dor no peito ou desconforto torácico com esforço

* Falta de ar desproporcional à atividade

* Síncope (desmaio) ou perda de consciência

* Palpitações intensas

* Histórico conhecido de doença coronariana, insuficiência cardíaca ou múltiplos fatores de risco

Durante a atividade, interrompa o exercício e procure orientação se ocorrerem:

* Dor torácica persistente

* Tontura intensa

* Falta de ar súbita e significativa

* Desmaio

Em contextos de competição ou treinos intensivos, existem protocolos específicos de avaliação e monitorização em cardiologia esportiva, que podem ser recomendados por profissionais especializados.

Plano de 7 dias para começar (sugestão) 

1. Dia 1:Caminhada rápida — 20 minutos

2. Dia 2: Caminhada leve — 15 minutos + 10 minutos de exercícios de força (agachamentos, flexões modificadas)

3. Dia 3: Bicicleta ou elíptico - 25 minutos

4. Dia 4:Caminhada rápida - 30 minutos

5. Dia 5:Força -20 minutos (ênfase em membros superiores e core)

6. Dia 6: Caminhada leve - 20 minutos + alongamento

7. Dia 7: Atividade de lazer ativa (natação, dança, jardinagem ativa) -30 minutos

Dica:escolha horários que funcionem para sua rotina e aumente gradualmente conforme conforto e adaptação.

Conclusão: 

A atividade física regular é uma das intervenções mais consistentes e robustas que a ciência tem para *melhorar a saúde e aumentar a probabilidade de viver mais com qualidade funcional*. 

Ela atua em múltiplos mecanismos fisiológicos, reduz o risco de mortalidade por todas as causas e promove proteção cardiovascular. O importante é começar, adaptar e progredir com segurança, mesmo mudanças pequenas e consistentes trazem impacto real. Se você tem fatores de risco, sintomas ou quer treinar com segurança e eficiência, procure uma avaliação individualizada com profissionais qualificados

Dr. Max Wagner de Lima Cardiologista – CRM 6194 / RQE 2308Fundador da Luminae – Excelência em SaúdeCriador do Protocolo ROTINA