Repúdio da Ordem

Advogada presa relata o caso e OAB emite nota de repúdio

"Cheguei na delegacia e pedi para ver os estudantes e não fui muito bem recebida", contou a advogada da Adufmat

por YURI RAMIRES/ DE CUIABÁ

07 de Março de 2013, 15h30

Advogada presa relata o caso e OAB emite nota de repúdio
Advogada presa relata o caso e OAB emite nota de repúdio

A advogada da Adufmat foi presa por desacato de autoridade ao tentar ver os estudantes pesos - Foto: Yuri Ramires/GazetaMTA advogada da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat), Ione Ferreira castro, esteve na manhã desta quinta-feira (7) na coletiva e contou o que viu na delegacia após a prisão do grupo de estudantes que manifestavam. 

Segundo Ione, ela é a prova viva de que os policiais agiram com violência. Ela foi chamada pela Associação para acompanhar os alunos, até mesmo porque ela não atua na área criminal. "Cheguei na delegacia e pedi para ver os estudantes e não fui muito bem recebida", contou.

Ela relatou que um policial pediu para ela calar a boca. "Entrei em uma sala onde eles estavam e disse que era advogada, mostrei minha carteira da OAB e ele me mandou calar a boca, que eu não mandava em nada ali". Ela se retirou da sala e esperou. 

Após alguns minutos ela ouviu um grito de um policial dizendo "Vou dar um tapa na sua cara", e preocupada resolveu ver o que estava acontecendo, foi quando ela perguntou novamente pelos estudantes e um policial foi fechar a porta na sua cara e ela colocou o pé.

"Eu coloquei o pé para a porta não acetar a minha cara, em seguida ele me puxou pelo braço, quebrou a porta e mandou eu calar a boca, dizendo que estava presa por desacato a autoridade e destruição do patrimônio público", contou. 

A advogada só foi liberada no final da noite. A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso, divulgou nesta quinta-feira uma nota de repúdio contra a violência sofrida pelos estudantes e pela prisão dos advogados, que foram impedidos de exercer suas funções profissionais no local.

Leia abaixo a nota na íntegra: 

diretoria da OAB/MT vem repudiar em nome de toda a advocacia mato-grossense a atitude dos policiais militares que agrediram estudantes universitários durante o protesto nesta quarta-feira (6 de março) em Cuiabá e detiveram dois advogados de seu exercício profissional, impedindo-os de acompanhar a lavratura do Boletim de Ocorrências na delegacia.       

O presidente da Seccional, Maurício Aude, a vice-presidente, Cláudia Aquino de Oliveira, o secretário-geral, Daniel Teixeira, o secretária-geral adjunto, Ulisses Rabaneda dos Santos, e o diretor tesoureiro, Cleverson de Figueiredo Pintel, estão preocupados com o despreparo dos policiais em lidar com manifestações públicas em uma época em que a capital se prepara para receber um evento mundial como a Copa do Mundo de 2014.       

 "Só se via ações truculentas como essa em tempos de ditadura militar. Este é um atentado violento contra o Estado Democrático de Direito. A Constituição da República garante em seu artigo 5º, a livre manifestação, a liberdade de expressão sem censura e independente de licença. Esse fato abre precedente para abusos. Não se bate em estudantes porque simplesmente estavam protestando contra algo e, pior ainda, não se detém advogados que estão exercendo a defesa de cidadãos, como aconteceu na noite passada. São atitudes lamentáveis", ressaltou Maurício Aude.       

Para a OAB/MT os fatos devem ser apurados e os policiais militares envolvidos devem ser punidos nas esferas administrativa e criminal, inclusive deve ser investigado o fato demonstrado em vídeo publicado pelo site Olhar Direto de que os referidos agentes públicos, ao se depararem com jornalistas no local do protesto, teriam retirado suas identificações dos uniformes. "Isso é muito grave. Os acadêmicos não estavam promovendo algazarras e o protesto não era violento. Os policiais, comandados por um capitão, chegaram agredindo e atirando balas de borrachas. Muitos estudantes ficaram feridos", pontuou.       

lém do presidente da OAB/MT, os presidentes do Tribunal de Defesa das Prerrogativas, Luiz da Penha Corrêa, da Comissão de Direito Penal, Waldir Caldas, e da Comissão do Jovem Advogado, Eduardo Lacerda, integrantes do TDP, Eduardo Guimarães, Ademar Santana Franco, Carla Rocha, e Marco Antônio e outros profissionais foram até o Cisc Planalto ontem à noite, defender as prerrogativas dos advogados