STF cobra informações e pode devolver Demóstenes Torres ao Ministério Público
07 de Março de 2014, 04h00
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, encaminhou nesta semana pedido de informações ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) sobre o processo instaurado contra o ex-senador e promotor afastado, Demóstenes Torres. Dizem que, mais do que 'dever de ofício', o ato de Gilmar Mendes foi uma fina ironia aos integrantes do MP.
Demóstenes Torres renunciou ao mandato de senador em 2012 para evitar a cassação. Na época descobriu-se que ele barganhava informações sigilosas com o crime organizado e costumava receber presentes do bicheiro Carlinhos Cachoeira - também dono da empreiteira Delta, que mantinha contratos bilionários com órgãos públicos federais e de vários Estados (inclusive Mato Grosso).
O escândalo durou meses. Vieram à tona gravações, fotos e documentos que comprovavam as ligações perigosas do senador-promotor com o mundo do crime. Diante das sóliddas evidências, os senadores não suportaram a companhia do 'colega' goiano. Já o Ministério Público, geralmente rigoroso com os outros Poderes, limitou-se a afastar preventivamente o ex-senador e abriu um processo administrativo que arrasta-se desde então.
As informações solicitadas por Gilmar Mendes vão orientar a decisão do STF sobre o Mandado de Segurança em que Demóstenes reivindica a plena reintegração ao cargo de Procurador da República em Goiás. Ele alega que as falcatruas do caso 'Delta/Cachoeira' ocorreram quando estava licenciado do Ministério Público e, por isso, não haveria óbice ao seu retorno.
Como o CNMP ainda parece titubear, não será surpresa se Gilmar Mendes atender o pleito de Demóstenes só para ver o efeito desta maçã no tonel do Ministério Público.
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