articulação

Prefeitos e secretários se reúnem para discutir ações contra corte em recursos da saúde

O encontro foi aberto pelo prefeito de Rondonópolis, que criticou o governador Silval Barbosa (PMDB) pelos cortes

por

07 de Maio de 2013, 16h08

Prefeitos e secretários se reúnem para discutir ações contra corte em recursos da saúde
Prefeitos e secretários se reúnem para discutir ações contra corte em recursos da saúde

Prefeitos e secretários municipais de Saúde dos municípios da região sul do estado estiveram reunidos na manhã dessa terça-feira, 7, na sala de audiências da prefeitura de Rondonópolis para discutir ações contra o corte em recursos estaduais destinados à área da saúde, garantidos pela Lei 9.870/2012, aprovado pela Assembleia Legislativa em dezembro do ano passado. O encontro foi articulado inicialmente pela Câmara e acabou por ser encampada pelo prefeito Percival Muniz (PPS), que convocou os prefeitos dos 19 municípios da região para o encontro.

O encontro foi aberto pelo prefeito de Rondonópolis, que criticou o governador Silval Barbosa (PMDB) pelos cortes, que chegaram a 57,71% na área da atenção básica à saúde. "A vontade que dá é dizer (ao governador) que corte logo tudo. Estou tentando não dar uma conotação política, mas não tem jeito. Ele está em final de mandato e não sai mais à reeleição, enquanto os prefeitos estão em início de mandato. Esse corte vai praticamente inviabilizar a gestão deles", afirmou.

Para o prefeito rondonopolitano, os prefeitos terão que ter muita habilidade política para contornar a situação e evitar os cortes. "Para isso chamei os prefeitos aqui: para discutir a situação e encontrarmos um caminho que não leve à radicalização. O Silval não fala nada, mas ele pegou o estado numa situação bem precária", complementou Percival.

Outro assunto que também entrou na pauta e acabou tomando corpo durante a reunião foi a questão da retirada dos recursos que constituem os Fundos, como o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), que deveria ser formado apenas com recursos estaduais para financiar obras e serviços de transportes e habitação. "Acontece que o Governo do Estado retira primeiro estes valores do bolo arrecadado, comendo parte dos recursos dos municípios, pois este é um fundo que existe para atender demandas do estado. O Governo sempre argumentou que compensaria essa perda com parcerias com os municípios, mas isso não acontece", explanou.

Percival continuou afirmando que caso sejam concretizados os cortes de recursos para a saúde, os municípios não darão conta de manter uma estrutura mínima para atender seus munícipes e citou a possibilidade de uma 'grave crise institucional'.

Em seguida, os diversos prefeitos e secretários falaram da situação em seus municípios e todos foram unânimes em afirmar que o atendimento da saúde ficará afetado com os cortes.

Um dos que foram mais enfáticos foi o prefeito de Itiquira, Humberto Bortolini, o Betão (PR), que é irmão do deputado estadual Ondanir Bortolini, o Nininho, também do PR. "Esse corte não deveria ser nem pensado. O recurso inteiro já é uma miséria, cortado então não dá para fazer nada. Nós temos que mobilizar os nossos deputados para lutarem contra isso", conclamou.

O prefeito de Paranatinga, Vilson Pires (de bigode), disparou duras críticas ao govenador Silval Barbosa durante a reunião - Foto Denilson Paredes/GazetaMTOutro que disparou duras críticas ao Governo do Estado foi o prefeito de Paranatinga, Vilson Pires (PRP). "Eu ajudei com dinheiro para a campanha do Silval e hoje em dia ele nem me recebe em seu gabinete. A saúde tem que ser a menina dos olhos de qualquer gestor e nós temos que acionar o Ministério Público e mostrar ao governador que os recurso não é dele, é dos municípios e ele não pode cortar assim ao seu bel prazer", discursou.

Ao final da reunião foram tomadas três decisões pelos presentes: a primeira delas foi preparar os secretários municipais de Saúde dos municípios para a reunião da Comissão Intergestora Bipartite (CIB), que é formada pelos secretários municipais de Saúde e que acontece no próximo dia 9, para que cada um pactue exatamente aquilo que o seu município tenha como demanda, dentro do teto estabelecido para cada um; a segunda foi a entrada na Justiça com ações individuais patrocinadas pela Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) para obrigar o Governo do Estado a rever a forma como os recursos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é feita, pleiteando que os valores que não foram repassados nos últimos cinco anos, que chegam a valores próximos a R$ 1,5 bilhão, sejam distribuído aos municípios.

A terceira ação é propor à Assembleia Legislativa do Estado que vote um projeto de Decreto Legislativo revogando a portaria do Governo que retira os poderes da CIB de definir os percentuais e valores de repasses estaduais para os municípios. "Toda vez que uma lei é regulamentada pelo Executivo e ele extrapola aquilo que recebeu de instrumento legal para fazer essa regulamentação, o Legislativo tem esse poder de corrigir essa falha. Nós vamos reunir com os deputados e pedir apoio para que eles revoguem o decreto que diminuiu os recursos da saúde", finalizou o prefeito Percival Muniz.