ATRASADOS

Profissionais de hospital particular de Rondonópolis dizem estar sem salário desde dezembro de 2019

Situação de médicos, enfermeiros e outros profissionais se arrasta desde 2019. Funcionários alegam ter feito “vaquinha” para a compra de cestas básicas

por Robson Morais - De Rondonópolis

07 de Maio de 2020, 11h36

Foto ilustrativa
Foto ilustrativa

Profissionais do hospital particular Materclin, em Rondonópolis, denunciaram à reportagem, nesta semana, que estão desde dezembro de 2019 sem receber os salários. No caso de médicos, por exemplo, há, ainda, pendências referentes aos meses de abril e maio do ano passado, segundo afirmam. Quanto a outras categorias, incertezas quanto ao pagamento dos direitos trabalhistas, como recolhimento de INSS e depósito regular do Fundo de Garantia.

O Hospital fora adquirido, em 2019, por um grupo de investidores. Pouco tempo depois, relataram profissionais em contato com a reportagem, começaram os atrasos. “No mês de julho, aproximadamente, nos foi prometido pela direção do hospital a regularização dos repasses, pagamentos referentes a cada mês, e cumprimento dos atrasados conforme o faturamento do Hospital. Não durou muito, logo começou tudo a ‘embolar1’, de novo”, relata um profissional. O nome deste e de outros que colaboraram para a produção desta reportagem serão preservados.

Ainda segundo o relato, a partir de dezembro de 2019, nem os atrasados e nem o cumprimento da folha de pagamento mensal fora feito pela direção da Materclin. Neste pacote, a dívida com médicos referente a abril de 2019 completou treze meses. “Em meio a esta situação, nossos colegas estão em dificuldade. Há médicos aqui já com problemas familiares, sem ter como arcar com suas contas, outros que fizeram empréstimos para quitar as dívidas, confiando que o pagamento caíra no próximo mês. O pior é o abalo emocional de cada profissional de Saúde”, diz.

Trecho de conversa entre profissionais da Materclin de Rondonópolis

Planos em dia

O Hospital particular Materclin atende a todos os planos de Saúde particulares de Rondonópolis, com exceção da Unimed. Outra fonte segue contando: “Tivemos acesso o um coordenador de um destes planos de saúde. O que ele nos disse foi claro: todos os repasses que cabiam ao Hospital foram feitos, pagaram tudo. Ou seja, a Materclin recebeu pelos serviços”.

Ainda conforme os profissionais, a Materclin sofre com precarização. “É difícil entendermos o real motivo desta situação, mas temos constatado que a situação só piora”, completa a fonte. “Estão ameaçando parar nossos serviços, assim como as ameaças de demissão das equipes e profissionais”.

Vaquinha

A crise, segundo os relatos, atinge, ainda que de formas diferentes, a todos os setores do hospital. De médicos e profissionais me geral. “Temos aqui muitos colaboradores que ganham um salário mínimo, outros ganham um pouco a mais. Nesta semana, grupos se reuniram e organizaram uma vaquinha para poder ajudar os que estão em maiores dificuldades. Conseguimos comprar algumas cestas básicas para doar”, afirma um profissional.

A situação atual dos profissionais não médicos, neste momento, é de salários pagos, porém, com atraso. Foi esta demora que motivou a vaquinha. “O que ouvimos nos corredores é que novamente não há previsão”, relata uma fonte sobre o pagamento referente a abril deste ano, que deveria ter sido feito hoje (7).

Trecho de publicação feita por outro profissional da Materclin de Rondonópolis

Pediatria

Outra situação grave relatada: médicos da ala pediátrica do hospital abandonaram a escala devido a falta de recebimento. “Não tem médico de plantão. Se chega uma criança precisando de atendimento, a recepção do Hospital tem que ligar e ver se algum profissional se dispõe a trabalhar e socorrer a criança. Esta é a situação atual. Caso não funcione o contato, mesmo quem tem plano de saúde terá que levar a criança até a unidade pública, o ‘P.Azinho’”.

Pendência

Em nome do Hospital e Clínica Materclin, há exatos 100 registros de inclusão no Serasa. Ainda segundo documento obtido pela reportagem, 381 protestos constam contra o CNPJ da empresa Materclin Clínica Maternidade e Pronto Socorro Ltda.  Veja abaixo:

Documento obtido pela reportagem mostra registros de inadimplência 

Outro lado

A reportagem entrou em contato com dois representantes do grupo junto a Materclin. Solicitamos resposta aos apontamentos relatados acima e garantimos total abertura de espaço ao direito de resposta. Até o fechamento desta reportagem, não obtivemos retorno.