CANARANA

Bisavó de índia recém-nascida enterrada viva é autuada por tentativa de homicídio

A criança foi resgatada por policiais civis e militares, na noite de terça-feira (5), no quintal da casa da família

por Redação com assessoria PJC/MT

07 de Junho de 2018, 07h46

Bisavó de índia recém-nascida enterrada viva é autuada por tentativa de homicídio
Bisavó de índia recém-nascida enterrada viva é autuada por tentativa de homicídio

A Polícia Civil de Canarana (MT) realizou a autuação em flagrante pelo crime de homicídio tentado praticado pela bisavó do bebê recém-nascido indígena enterrado vivo. A criança foi resgatada por policiais civis e militares, na noite de terça-feira (5), no quintal da casa da família.

A Polícia Civil foi informada de um feto recém-nascido, que teria sido enterrado em uma residência, e deslocou para o endereço em conjunto com a Polícia Militar. Ao iniciar escavação em busca do corpo, os policiais ouviram o choro da menina e constaram que a criança estava viva. O bebê foi socorrido e encaminhado para socorro médico imediato.

Conduzidas à delegacia para esclarecimentos, a mãe da criança, uma adolescente de 15 anos, e a avó da menina contaram que a jovem sentiu fortes dores (contrações) e foi ao banheiro, momento em que deu à luz ao bebê. Ao nascer, a criança teria batido a cabeça no vaso sanitário, ocasionando sangramento.

Restou apurado que foi a bisavó da menina quem cortou o cordão umbilical e também foi a responsável por enterrar a recém-nascida. A mulher, Kutz Amin, de 57 anos, foi presa na manhã dessa quarta-feira (6) e alegou que a criança não chorou após o nascimento, por isso acreditou que estivesse morta e, segundo costume de sua comunidade, enterrou o corpo no quintal, sem acionar os órgãos oficiais.

De acordo com o delegado Deuel Paixão de Santana, o fato só veio à tona (e a criança salva), porque a mãe do bebê apresentou hemorragia durante toda a tarde de terça-feira (5) e em razão da necessidade de atendimento médico a ocorrência foi divulgada.

A mãe e avó foram ouvidas e liberadas. Já a bisavó será encaminhada para audiência de custódia para deliberação do Judiciário.

Em audiência de custódia na tarde dessa quarta-feira, a bisavó da criança foi mantida presa e teve o flagrante convertido em prisão preventiva. A indígena foi encaminhada a cadeia de Nova Xavantina (MT). "Mesmo se tratando-se de indígena, o crime é comum. Crime comum contra a vida, portanto competência da Polícia Civil. Seria competência federal se fosse um crime praticado em desfavor da etnia indígena", explicou o delegado.