EXECUÇÃO EM VILA RICA

Caseiro que matou pai e filho procuradores é condenado a 47 anos de prisão

Acusado matou as vítimas porque os procuradores teriam desconfiado que o funcionário estava furtando gado e revendendo os animais.

por Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

07 de Agosto de 2019, 10h23

Caseiro que matou pai e filho procuradores é condenado a 47 anos de prisão
Caseiro que matou pai e filho procuradores é condenado a 47 anos de prisão

O juiz Ivan Lúcio Amarante, condenou o caseiro José Bonfim Alves Santana, de 45 anos, acusado de executar dois procuradores estaduais em uma fazenda em Vila Rica, a 48 anos de prisão pelo crime. O julgamento começou na terça-feira (6) e terminou na madrugada desta quarta-feira (7) no Fórum do município.

Saint-Clair Martins Souto, de 78 anos, e Saint-Clair Diniz Martins Souto, pai e filho, respectivamente, foram mortos a tiros em setembro de 2016 na propriedade rural das vítimas, onde o acusado trabalhava como gerente.

O idoso era procurador aposentado no Distrito Federal e o filho atuava na Procuradoria-Geral do Rio de Janeiro.

“Pelo exposto e considerando a vontade soberana do Conselho de Sentença, condeno o réu José Bonfim Alves de Santana nos autos, nas sanções do artigo nos termo do artigo 121 do Código Penal em relação a primeira vítima maior de idade, cominados com artigos 211 e 347, parágrafo único, todo do Código Penal, e ainda no artigo 12 da lei n° 10.826/03, na forma do artigo 69 do Código Penal, à peba privativa de liberdade de 47 anos e 3 meses de reclusão e mais um ano e seis meses de detenção e 60 dias multa, fixadas no seu mínimo legal”, diz trecho da sentença.

Durante o julgamento, o acusado optou por permanecer em silêncio. No entanto, antes do Conselho de Sentença pronunciar sua decisão, Bonfim pediu desculpas aos familiares das vítimas.

“Primeiramente, eu queria pedir desculpas para a família das vítimas, pedir desculpas para a população de Vila Rica, que me acolheu muito bem enquanto estive aqui. Queria pedir desculpa para a bancada do júri, e ao povo que veio me assistir, pela expectativa que tiveram de ouvir um depoimento meu mais especifico, mas no momento eu achei melhor não falar nada”, disse o réu.

Desde sua prisão, Bonfim esteve preso na Penitenciária Major PM Zuzi Alves da Silva, em Água Boa. Ele deve retornar a unidade onde cumprirá a pena.

O caso

De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), Bonfim atirou em Saint-Clair quando o idoso estava montado em um cavalo. A vítima foi atingida pelas costas enquanto andava pela propriedade.

Em seguida, o funcionário foi até o curral da fazenda e procurou pelo filho da vítima dizendo que o pai havia caído no pasto. Os dois foram a cavalo até o local.

No momento em que Saint-Clair viu o pai caído, desceu do cavalo e se aproximou, foi então que o acusado, ainda em cima do cavalo, atirou e matou a segunda vítima, também pelas costas.

Após as mortes, Bonfim ainda escondeu os corpos das vítima e depois fugiu. Na época, o gerente também foi dado como desaparecido, por não ter sido encontrado pela Polícia.

Para o MPE, Bonfim matou as vítimas porque os procuradores teriam desconfiado que o funcionário estava furtando gado e revendendo os animais deles.

Ele foi preso no município de Colinas do Tocantins (TO), pela Polícia Civil daquele Estado. Em interrogatório, ele confessou o crime e revelou que teria enterrado os corpos em uma região próxima à fazenda.