CASO IRMÃOS ARAÚJO
Monica Marchett tem prisão decretada pela Justiça acusada de mandar matar irmãos há 20 anos
As mortes teriam sido encomendas por causa de uma disputa de terras
08 de Outubro de 2020, 17h16
A Justiça de Mato Grosso decretou a prisão da empresária Mônica Marchett acusada de mandar matar os irmãos Brandão Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo, nos anos de 1999 e 2000, respectivamente. As mortes teriam sido encomendas por causa de uma disputa de terras.
A prisão preventiva de Monica Marchett foi determinada, nessa quarta-feira (07), pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Rondonópolis (MT), Wagner Plaza Machado Junior. O magistrado disse, na decisão, que ela está foragida há vários anos e que a Justiça tentou conseguiu intimá-la e que, depois de citada por edital, a empresária não compareceu em juízo para apresentar a sua defesa em relação à acusação e menciona o comentário de uma jornalista de que ser foragida no Brasil compensa.
"É público e notório que a acusada Mônica está foragida desta cidade há muitos anos, inclusive na ação penal anterior fora declarada não só sua revelia, como também reconhecida como foragida", afirmou.
A denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) aponta que um dos indícios de que a empresária tenha encomendado o assassinato das vítimas é a assinatura dela que foi encontrada na transferência de um automóvel de propriedade da família aos suspeitos pelos crimes, os ex-policiais militares Hércules Araújo Agostinho e Célio Alves. O carro teria sido entregue como pagamento pelos assassinatos.
À época, a família de Mônica e das vítimas travava briga na justiça por um imóvel rural.

Entenda o caso
Os irmãos Brandão de Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo, conhecido como Zezeca, foram assassinados à luz do dia em pleno centro de Rondonópolis, em 10 de agosto de 1999 e 28 de dezembro de 2000, respectivamente.
Conforme investigações da polícia civil, tratou-se de crime de mando, prática de "pistolagem", como confessado pelos executores dos irmãos Araújo, que deu detalhes sobre o planejamento, execução, bem como nomeou os seus intermediários e mandantes.
O executor, já condenado, ex-cabo da PM Hércules Agostinho, não só assumiu o assassinato dos irmãos, como participou da reconstituição dos homicídios, entregando todos os envolvidos, como também apontou os proprietários da empresa Sementes Mônica como mandantes dos crimes.
Como pagamento das mortes, Hercules contou que ele e o soldado Célio Alves de Souza receberam um veículo Gol como pagamento pela execução dos dois irmãos Araújo, veículo este pertencente à empresa Mônica Armazéns Gerais Ltda, de propriedade da acusada Mônica Marchett, filha de Sérgio Marchett, inclusive durante reconstituição dos crimes, Hércules apontou a Sementes Mônica, empresa da família Marchett, como o local em que ele e o ex-soldado Célio Alves buscaram documento do veículo.
Recentemente durante a sessão de julgamento do Tribunal do Júri de Rondonópolis, em 14 de junho de 2018, o pistoleiro Célio Alves de Souza também confessou sua participação nos crimes, nomeando o empresário Sérgio e sua filha Mônica Marchett como mandantes dos crimes, detalhando ainda a participação de todos os envolvidos na trama assassina, desde o preparo até a execução.