Um vendaval de mudanças na igreja e no mundo

por GazetaMT

08 de Novembro de 2013, 09h05

Um vendaval de mudanças na igreja e no mundo
Um vendaval de mudanças na igreja e no mundo

Martim Lutero nasceu em 1483, na Alemanha. Como se dá conosco hoje, ele viveu numa época de grandes mudanças, dentro e fora da Igreja. Ele próprio acabou sendo peça central num dos acontecimentos mais explosivos e impactantes: A divulgação de 95 teses, em 31 de outubro de 1517. Convido você leitor, a entender este "vendaval de mudanças".

O contexto da época

O século XV foi de muitas descobertas para a humanidade. Em 1447 Gutenberg descobriu a imprensa, ou seja, livros e outros materiais poderiam ser impressos. Em 1492 Cristóvão Colombo, a serviço do Império Espanhol, descobre as Américas. Ainda podemos lembrar que em 1500 Cabral, a serviço do Império Português, chega ao Brasil. Também se descobre que a terra não é o centro do universo e que o sol não gira em torno da terra, mas o contrário. Na Europa impera o sistema feudal: Uma família residindo em castelo luxuoso; várias famílias dentro desta propriedade (o feudo); as famílias vivendo praticamente como escravas do senhor feudal. Este sistema está em crise e há muito descontentamento.

Nesta época havia dois grandes impérios, que dominavam praticamente todo o mundo: Espanha e Portugal. A Igreja da época (Católica) era uma instituição poderosíssima. Assim, imperadores e papas, Igreja e Estado, geralmente estavam interligados e atuavam conjuntamente.

A Igreja da época

Veja agora, o que ocorria dentro da Igreja da época. No livrinho "O verdadeiro tesouro da Igreja", o Pastor Lindolfo Weingaertner faz uma descrição breve e profunda: "A Igreja Católica Romana, no decurso de toda a Idade Média, tinha conseguido manter sua unidade (só a Igreja Oriental, chamada Ortodoxa, se tinha separada em 1054). Hoje a situação da Igreja Católica é bem diferente. Na Idade Média, a vida e a unidade da Igreja eram baseadas mais em poder temporal, bem como em rígidas tradições e leis humanas do que no evangelho de Jesus. A veneração de santos, peregrinações a lugares sagrados, adoração de relíquias, missas para defuntos e outras práticas populares revelavam uma superstição maciça que mais e mais tinha suplantado a doutrina de Jesus Cristo. O poder eclesiástico, que representava esta duvidosa unidade, se achava instalado no papado, sediado em Roma, de onde o papa governava a igreja através dos cardeais e dos bispos que, a serviço de Roma, também mexiam com o poder político em seus países.

Na doutrina e na pregação da igreja, a unidade fora preservada a duras penas. Movimentos de renovação tinham sido sufocados a ferro e fogo: Os Valdenses, na França e na Itália, tinham sido erradicados, os seguidores de John Wicliff, na Inglaterra, haviam sido cruelmente perseguidos, João Hus, reformador da Boêmia, fora queimado vivo, depois de condenado pelo Concílio de Constança (1415). Nas novas terras descobertas pelos espanhóis e portugueses, o catolicismo vinha sendo implantado à força. Os índios eram simplesmente encampados pela igreja, sem que tivesse havido uma tentativa de conquistar os corações. As conseqüências eram previsíveis: mais superstição, mais fanatismo e um vazio interno cada vez maior.

Até um cego podia ver que a igreja andava mal, que ela se tinha afastado mais e mais da simplicidade e da clareza do evangelho de Jesus. É verdade, a Bíblia ainda vinha sendo estudada pelos teólogos e pelos monges, mas o povo simples só conhecia histórias de santos, leis e jejum, regras de penitência, missas de defuntos - e vinha sendo mantido na submissão total pelos padres e bispos que, em nome do papa, ditavam o que era certo e errado.

O clero, de sua parte, muitas vezes não servia de exemplo ao povo. Padres viviam na ociosidade e na imoralidade, bispos guerreavam com príncipes e magistrados, prelados faziam negociatas com dinheiro arrecadado nos templos.

Espíritos esclarecidos já há muito tempo vinham clamando por uma reforma da igreja, a ser feita "na cabeça e nos membros", mas até então todas as tentativas de modificar o estado de coisas tinham sido frustradas. O próprio papado, firmemente instalado em Roma, resistia a qualquer tentativa de se mudar o que quer que fosse. Até quando aquela paz problemática poderia ser mantida na igreja?"

Em lugar do Banco da Igreja, a fé em Jesus Cristo

Na época de Lutero pregava-se a obtenção de perdão e vida eterna por meio de boas obras. Quem tivesse pecados ou não tivesse boas obras o suficiente, poderia comprá-las da Igreja. Os documento de compra se chamavam "indulgências", ou seja "cartas de perdão". O lastro (a base) seria o Tesouro da Igreja. O Tesouro da Igreja era visto como uma espécie de Banco. Neste "Banco" estariam todas as boas obras de santos do passado e as boas ações do próprio Jesus. A Igreja seria, então, a administradora do "Tesouro da Igreja".

Ao ler a Bíblia, Lutero redescobriu que a pessoa é perdoada se confessar seus pecados (1 João 1. 9). Verificou que a pessoa é salva se crer em Jesus Cristo (Romanos 1. 17 e João 3. 16). Buscando uma grande e profunda mudança na Igreja, Lutero publicou 95 teses em 31 de outubro de 1517. Uma das teses centrais de Lutero atacava a idéia de Igreja como Banco e dizia: "O verdadeiro tesouro da igreja é o santíssimo evangelho da glória e da graça de Deus" (Tese nº 62).

Mensagens do 31 de outubro para hoje

1.        A Bíblia: Para Martim Lutero e os outros reformadores a Bíblia é um tesouro de valor incalculável. Lutero a traduziu para o alemão e trabalhou intensamente para que todos a pudessem ler e entender. Também nós devemos ter na Bíblia a nossa fonte de forças e orientação!

2.        A misericórdia: Para Lutero a Igreja deve ser como um hospital, ou seja, um local onde há compaixão, amor, cura e salvação!

3.        A verdadeira riqueza: Tanto na época de Lutero como hoje, é grande o apego ao "aqui e agora". Isto ocorre dentro e fora de igrejas. Lutero mostrou que a graça de Deus é a verdadeira riqueza e que em Cristo temos a promessa de uma eternidade maravilhosa!

4.        Perdão e paz: Precisamos urgentemente de paz em nossas cidades, lares e mundo. A chave está no perdão. Não precisamos pagar o perdão de Deus, basta o arrependimento. Ao mesmo tempo, precisamos dar e viver o perdão incondicional. Assim, experimentaremos paz no coração e nos relacionamentos!

Que o 31 de outubro nos leve sempre para as Escrituras, para a misericórdia, para a esperança eterna e para a paz!

 

* Gerson Kappel é pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil em Rondonópolis