DIA DA MULHER
Procuradoras do Estado incentivam ingresso de mais mulheres na carreira
Advocacia pública é uma das carreiras que tem atraído cada vez mais mulheres, entre elas a de Procuradora do Estado
08 de Março de 2018, 10h39
O crescimento da participação feminina em carreiras jurídicas é incontestável. A advocacia pública é uma das carreiras que tem atraído cada vez mais mulheres, entre elas a de Procuradora do Estado, cargo cujo papel é representar o estado-membro judicial ou extrajudicialmente. Em Mato Grosso, são 91 profissionais, sendo 35 mulheres, além disso, a Procuradoria Geral do Estado (PGE-MT) hoje está sob o comandada de uma delas, Gabriela Novis Neves.
Gabriela é a quarta mulher a ocupar o cargo. A pioneira, na década de 90, foi Beatrice Maria Pedroso da Silva. "Antes do meu concurso em 1986 só havia uma procuradora atuando no Estado, a Dra Maria Mazzarelo. A minha turma trouxe um grupo bom de mulheres para a procuradoria", lembra.A procuradora aposentada fala com carinho da nomeação para chefiar a PGE-MT feita pelo então governador Dante de Oliveira. "Foi uma honra".
Outra ação que contou com o empenho da procuradora foi a criação da Associação dos Procuradores do Estado de Mato Grosso (Apromat). "Criamos a Apromat, fui a 1° secretaria na gestão Carlos Teodoro José Hugueney Irigaray, que idealizou a associação".
Beatrice foi seguida na função de procuradora-geral por Maria Magalhães Rosa e Sueli Solange Capitula, esta última ainda na ativa. Mulheres que serviram de inspiração para que outras ingressassem na profissão e que hoje fazem coro por mais participação feminina na carreira.
Para a ex-chefe da PGE-MT o caminho de avanços femininos é sem volta. "Não vejo como retroceder no processo de ocupação de todos os espaços. Só há possibilidade de avanços. Não há mais local onde só e existe homem capaz de fazer. Precisamos evoluir ainda, principalmente no setor privado, em que mulheres ganham menos que homens no mesmo cargo, o que não ocorre no serviço público".
A procuradora Elisabete Zília, conhecida, carinhosamente, por Bete Zília, de 58 anos está há 28 anos na PGE-MT lembra que em 1990 quando prestou o concurso ainda eram poucas mulheres na carreira. Foi incentivada por um amigo que veio de São Paulo para concorrer a uma vaga no Estado. "Tinha acabado de ter minha primeira filha. Ela nasceu dia 30 de maio e eu fiz a prova no dia 8 de junho, ainda com ponto da cesariana e com lenço no seio por causa da amamentação, foi um perrengue, mas mesmo assim passei em primeiro lugar", lembra.
A procuradora Cláudia Regina Souza Ramos, 48 anos, atua na Secretaria de Gestão (Seges) e conta com 21 anos de profissão, lembra que sempre gostou de advogar, mas queria a segurança do concurso público, na magistratura não conseguiria advogar. "Sou apaixonada pela advocacia pública. É uma carreira desafiadora, mas que te dá muito satisfação", revela. "Para a mulher, que tem dupla jornada, há ainda possibilita fazer pesquisa em casa, o que aumenta o convívio familiar", cita.
Outra procuradora que incentiva mulheres a ocuparem espaços estratégicos é Ana Cristina Barbiero Teixeira, 43, há 16 na profissão. Hoje, atua na área judicial da PGE. "A rotina é corrida, mas consigo conciliar todas as funções de mãe, esposa, profissional, dona de casa", comenta. "A gente tem que ocupar nossos espaços e sobre tudo nos sentir realizadas, se a carreira é um sonho tem que investir", conclui.
Para o presidente da Apromat, Rodrigo Santos de Carvalho, o toque feminino na advocacia pública engrandece a profissão. Ele destaca que as mulheres que assumem a carreira são exemplo para as demais. "O número de procuradas vem aumentando gradativamente. Em Mato Grosso, tivemos quatro procuradoras-gerais, o que demostra o prestígio conquistado pelas mulheres".