Ignorado em vida, Ignorado na morte: andarilho tem dados ignorados em óbito e corpo não entra em IML

por GazetaMT

08 de Junho de 2012, 17h42

Ignorado em vida, Ignorado na morte: andarilho tem dados ignorados em óbito e corpo não entra em IML
Ignorado em vida, Ignorado na morte: andarilho tem dados ignorados em óbito e corpo não entra em IML

O corpo de um andarilho deu entrada, na manhã dessa sexta-feira (8), no Pronto Atendimento Municipal de Rondonópolis. O nome ignorado, do sexo ignorado, com idade ignorada, morreu de forma ignorada em um município ignorado. Está tudo alí, em seu atestado de óbito, assinado e carimbado pela médica, aí sim, não ignorada, Janete J. Moreira Nogueira.


Sorte do morto ignorado, que o atestado de óbito não era seu único documento. Em seus outros documentos, completamente ignorados pelo P.A, consta o nome "José Rezende da Costa", consta o sexo "masculino", consta o pai "Marcolino Caetano da Costa", consta até mãe "Maria da Conceição Costa", e mesmo em seu último documento, o registro policial de sua morte, consta, ao menos, o município da ocorrência "Rondonópolis".


A causa da morte, por sua vez, é algo o qual - se por acaso - constar, nos autos, qualquer coisa que não "ignorado", não deveremos dar crédito algum ao P.A, que com seu atestado de óbito ignorável impediu, por boa parte do dia, a entrada do corpo de José Rezende ao IML.


A situação retrata o descaso com o ser humano. Seja vivo, ou seja, morto, o sistema não trata o cidadão, só o destrata mesmo. Se vivo e podendo falar, você sai do hospital sem diagnóstico; morto você sai sem nome, pai, mãe e sexo.


O sistema ignorou o andarilho José Rezende da Costa, e isso não dá pra ignorar.