Indignação não vai tapar buracos da Copa do Mundo
08 de Junho de 2014, 09h05
É realmente impressionante o grau de cinismo presente em certos setores da imprensa, do esporte e do Poder Público no que diz respeito à Copa do Mundo. Depois de anos fingindo não ver a corrupção desbragada (e, em alguns casos, também se locupletando), posam agora de indignados diante das obras não concluídas e dos gastos bilionários patrocinados com dinheiro público. Em Mato Grosso, por exemplo, a Justiça finalmente exigiu que a Secopa abrisse a 'caixa-preta' dos gastos com o Mundial - isso faltando menos de uma semana para o início dos jogos.
Todos dizem agora que estão preocupados, encenam perplexidade. Veículos de comunicação, entidades importantes (como a OAB e o CREA-MT), tribunais de Justiça e de Contas, atletas (com destaque para Ronaldo 'Ex-fenômeno') e até os políticos oposicionistas dão destaque ao assunto. Mas, aonde estavam quando o dinheiro da Copa era desviado e os cronogramas das obras eram descumpridos seguidamente?
O fato é que a nação brasileira foi enganada e roubada à luz do dia. E isso só foi possível graças à conivência de alguns e o silêncio de muitos. Nunca é tarde para corrigir erros, mas é bom que isso seja feito com seriedade.
Tentar 'tirar o corpo fora', fingindo surpresa ou preocupação não resolverá o problema. É preciso admitir os erros, agir rápido para 'repatriar' o dinheiro desviado e discutir como enfrentar os problemas que ainda virão desse engodo chamado Copa do Mundo.
O buraco em que nos meteram é bem maior do que se imagina. E não será fácil tapá-lo.