RONDONÓPOLIS
Servidores do Estado cobram apoio do Legislativo em reinvindicações sobre compensação salarial
Sete categorias pressionaram os 21 vereadores. Ao GazetaMT parlamentares comentam
08 de Junho de 2016, 17h10
Servidores estaduais de sete categorias concentraram esforços e pressionaram os 21 vereadores de Rondonópolis durante a Sessão Ordinária desta quarta-feira (8). Uma moção de repúdio chegou a ser pedida em um dos momentos de maior furor, enquanto cartazes e gritos de protesto pautaram as atividades da Casa de Leis. A greve em todo o Estado continua em prol do Reajuste Geral Anual (RGA), contrária à liminar expedida pela Justiça de Mato Grosso.
Entidades representantes da Saúde, Educação, Detran, Segurança Pública, Sócio Educativo, Meio Ambiente e Sistema Penitenciário lotaram o auditório da Câmara. Parte das lideranças sindicais foi convidada a tomar a palavra na Tribuna Livre do Plenário da Casa. Na última segunda-feira (6), os desembargadores Pedro Sakamoto e Serly Marcondes Alves atenderam aos pedidos do Governo do Estado e determinaram, de forma liminar, o retorno ao trabalho dos servidores de três destas categorias. A multa diária fixada caso haja descumprimento das determinações é de R$ 100 mil para os funcionários em entidades públicas de meio ambiente e desconto nos dias parados, e de R$ 5 mil para os servidores de saúde e meio ambiente, sem que sejam descontados dos salários os dias em greve.
Sobre a determinação judicial, Olga Eliane Pinto Santos, vice presidente do Sindicato dos Escrivães da Polícia Judiciária Civil (Sindepojuc), acusa o Estado de adotar em um sistema dois pesos duas medidas. "O mesmo Judiciário que de
creta ilegal nosso movimento está recebendo sua reposição de 11,28% nesta semana. O Ministério Público já recebeu em janeiro e os servidores da Assembleia Legislativa também. O servidor do Executivo é quem está sendo sacrificado", diz.
Ao GazetaMT, Santos reafirma que não será aceito o parcelamento proposto pelo Estado, baixando a reposição de 11,28% para 6% e quitando a dívida do RGA em três vezes. "Este pagamento parcelado de 2% em setembro, outros 2% em janeiro de 2017 e o restante em março nós não vamos aceitar. A proposta foi rejeitada desde o início", lembra.
Firmado junto à Casa de Leis, a moção de repúdio pedida pelos servidores deu lugar a uma Declaração de Apoio, a ser remetida à lideranças políticas no Estado. "Isso é para mostrar que esta Câmara reconhece a legalidade de nosso movimento"
Vereadores comentam
Pautados pelo movimento, aos vereadores coube comentar e se manifestar pró e contra a paralisação dos servidores do Estado. No Plenário, a defesa ao Governo do Estado rendeu vaias e gritos de "fora" ao tucano Rodrigo da Zaeli (PSDB). Ao GazetaMT, o vereador respondeu as críticas.
Zaeli classificou a intensificação dos protestos como um "cavalo de batalha" montado contra o Governo do Estado. Reconheceu, porém, como legítimo o movimento grevista. "Temos a consciência de que a reposição é legal. Sou a favor da manifestação e acho que o Estado tem que resolver, mas não podemos aceitar este cavalo de batalha contra o Estado, onde quem fica no meio é a população que não recebe os serviços públicos por conta da greve. O Estado passa por dificuldades financeiras", disse.
Também tucano, Carlos Vanzeli discursou em tom mais brando. "Acima de lados, servidor ou Estado, temos a sociedade que hoje paga por um serviço público e não o tem. O que os servidores pedem é uma reposição salarial de uma inflação que não é culpa deles e por isso não tem que pagar essa conta. O Estado, porém, esta tentando ter responsabilidade com as contas públicas, preferindo o enfrentamento no diálogo e no debate. O momento é de mãos à mesa", disse.
Roni Magnani (PP), completou a fala: "Os vereadores tem de entrar em contato com seus deputados e buscar o diálogo mais flexível junto ao governo do Estado. Nó vereadores, de fato, somos
a representação política mais próxima. E nosso papel é esse".