APÓS REPORTAGEM
Gigante agrícola tem prazo determinado pela Justiça para sanar insalubridade a caminhoneiros
GazetaMT visitou o espaço e ouviu relato dos trabalhadores
08 de Julho de 2016, 09h40

Reportagem exclusiva publicada no dia 6 de junho pelo GazetaMT denunciou, pela segunda-vez, a situação insalubre vivida por caminhoneiros que aguardavam no pátio disponibilizado pela gigante agrícola Noble Agri, atual Cofco do Brasil, para descarregar, às margens da BR-364 sentido Cuiabá. Nesta semana, uma audiência determinou prazo máximo de vinte dias para a solução dos problemas por parte da empresa.
O espaço alugado pertence ao grupo Botuverá e o processo fora impetrado em março pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Terrestres da cidade (STTRR).
A Ação Civil Pública está nas mãos da Justiça do Trabalho em Rondonópolis. "Na quarta-feira (06) passada tivemos uma audiência de conciliação. Representantes da multinacional se comprometeram oferecer aos trabalhadores pavimentação do pátio, banheiros descentes, área coberta para espera, restaurante e água. Eles tem 20 dias para apresentarem o projeto com as melhorias, caso não façam serão penalizados pela justiça", explica Luiz Gonçalves da Costa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Terrestres de Rondonópolis. A entidade cobra, além das melhorias, uma indenização à categoria por de danos morais. "É referente a uma ação por danos morais, não abrimos mão. Os profissionais foram lesados, o dano precisa ser reparado", conta Luiz.
Ainda no processo que tramita junto à Justiça do Trabalho, outras empresas são alvo. "Esta Ação é movida contra todos os espaços das grandes empresas de nossa região. Outras seguem, ainda, cobrando providências das demais gigantes em todo o Estado", disse o presidente à época da primeira reportagem. "Poucas são as empresas com as quais não precisamos bater em cima".
Relato dos Trabalhadores
Ainda na data da segunda reportagem produzida pelo GazetaMT, caminhoneiros que aguardavam para descarregar relataram à reportagem o drama vivido. Por segurança, os nomes dos trabalhadores que aceitaram gravar entrevista no local não foi divulgado.
Longe da cidade, os motoristas cobram local para poder almoçar, além de melhor acomodação dentro da estrutura metálica existente no lugar. "Cheguei hoje pela manhã e só devo ri embora no final de tarde. Problema aqui é que as vezes tem caminhoneiro que quando não tem marmita passa o dia sem comer", conta um dos trabalhadores entrevistados. "Colocaram estas barreiras aqui para os caminhões não estacionarem embaixo do teto, na sombra. O jeito é ficar no Sol mesmo", diz outro referindo-se aos blocos de concreto instalados por todas as áreas de acesso da estrutura, com espaçamentos que permitem apenas a entrada de pessoas.
No dia da visita surpresa feita pela equipe de reportagem, no interior da instalação, resto de comida deixado -pelos trabalhadores- em detrimento à lixeira colocada. O mau cheiro da foça e poças com água parada também contemplam o espaço sem asfalto.
Nos dias de chuva, relatam os caminhoneiros, a lama toma conta do pátio. Ao fundo, uma usina asfáltica mantida pela locadora existe e acumula materiais como o cascalho. Nenhum metro de asfalto, porém, foi posto ao solo.
O GazetaMT tentou contato com a Cofco do Brasil. Por telefone, uma funcionária da sede em Rondonópolis informou outro número original de São Paulo. Ninguém atendeu as ligações. Da Botuverá, também não houve retorno.