PAI DA BOSSA NOVA

Aberto ao público, velório de João Gilberto é realizado no Theatro Municipal do Rio nesta segunda

por G1

08 de Julho de 2019, 10h31

Aberto ao público, velório de João Gilberto é realizado no Theatro Municipal do Rio nesta segunda
Aberto ao público, velório de João Gilberto é realizado no Theatro Municipal do Rio nesta segunda

O corpo de João Gilberto é velado, na manhã desta segunda-feira (8), no Theatro Municipal do Rio. Uma das primeiras a chegar à cerimônia, que será realizada até as 14h, foi a atriz Glória Pires. Por volta das 9h30, a viúva do músico, Maria do Céu Harris, de 55 anos, chegou ao local. O corpo do músico será enterrado às 16h, no cemitério Parque da Colina, em Niterói.

Às 10h, o velório foi aberto para que os fãs possam se despedir do músico. Das 9h30 às 10h, a cerimônia ocorreu apenas para familiares e amigos.

Ao sair de casa para ir o velório, Maria do Céu se emocionou ao lembrar do músico. “Eu quero que o Brasil faça silêncio para ouvir João Gilberto. Que os brasileiros ouçam mais João Gilberto”, disse Maria, chorando.

João Gilberto morreu em casa, neste sábado (6), aos 88 anos. Ele foi um dos criadores da bossa nova. O músico enfrentava problemas de saúde havia alguns anos.

Fã do compositor, a médica Fernanda Maia Carvalho está passando férias no Rio, mas fez questão de ir ao velório prestar sua homenagem. "Somos de Recife e estamos de férias no Rio. Soubemos da morte dele aqui. É estranho porque, para mim, nada representa melhor esta cidade que a Bossa Nova, o estilo que ele criou. É uma pena, uma perda imensa”, lamentou.

No início da tarde deste domingo (7), a viúva de João, Maria do Céu Harris, de 55 anos, saiu do apartamento onde vivia com o músico por volta das 12h. Muito emocionada, ela não quis falar com a imprensa. O corpo do cantor havia sido levado do apartamento da família no Leblon, na Zona Sul do Rio, ainda durante a madrugada.

Bebel Gilberto, filha do músico João Gilberto, chegou ao aeroporto Tom Jobim pouco depois das 12h deste domingo (7). A cantora estava em uma turnê nos Estados Unidos quando recebeu a notícia da morte do pai. Muito emocionada, ela abraçou um homem que a aguardava na área do desembarque. Chorando, Bebel pediu desculpas e disse que não estava em condições de falar.

Pai da bossa nova

João Gilberto Prado Pereira de Oliveira concluiu em 1961 a trilogia de álbuns fundamentais que apresentaram a bossa nova ao mundo: "Chega de saudade" (1959), "O amor, o sorriso e a flor" (1960) e "João Gilberto" de 1961.

O álbum que marcou o início do gênero em 1959, "Chega de saudade", traz a música de mesmo nome composta por Tom Jobim (1927-1994) e Vinicius de Moraes (1913-1980).

A canção havia sido apresentada em um LP em abril de 1958 por Elizeth Cardoso (1920-1990), mas a versão mais conhecida, com a voz de João, foi lançada em agosto do mesmo ano.

João Gilberto nasceu em Juazeiro, na Bahia, em 10 de junho de 1931. O governo do estado declarou três dias de luto pela morte.

Depois de alguns anos morando em Aracaju (SE), onde passou a tocar na banda escolar, voltou à sua cidade-natal e, aos 14 anos, ganhou o primeiro violão do pai.

Depois da consagração, lançou criações próprias e seguiu com shows e discos que se tornaram obras de arte, como é o caso de "Amoroso”, álbum gravado nos Estados Unidos entre 1976 e 1977 sob o selo Warner Music.

O álbum foi relançado no Brasil em formato longo durante os festejos dos 60 anos da Bossa Nova. O álbum celebra o encontro harmonioso do artista brasileiro com o maestro alemão Claus Ogerman (1930 – 2016).

A produção de João foi objeto de uma disputa judicial em 2018. A defesa do cantor pedia uma revisão no valor de uma indenização da gravadora EMI Records, hoje controlada pela Universal Music. Em 2015, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proibiu a empresa de vender os discos do artista sem seu consentimento. A Universal não comenta o caso.