propostas
Comandante da PM diz que propostas de candidatos são insuficientes para diminuir violência
Para o militar, a tarefa de combater a criminalidade não pode ser encarada exclusivamente ao Governo do Estado
08 de Setembro de 2014, 10h56
O comandante do 4º Comando Regional da Polícia Militar, o coronel Walter da Silveira, comentou em entrevista exclusiva ao site GazetaMT que tem acompanhado a campanha eleitoral e elogiou as propostas dos mesmos para a área da segurança, mas pontuou que as mesmas são insuficientes para garantir a diminuição da violência no estado. Para o militar, a tarefa de combater a criminalidade não pode ser encarada exclusivamente ao Governo do Estado.
Um dos pontos elogiados pelo comandante é a proposta que é comum a todos os candidatos, de aumentar o número de policiais do Gefron (Grupo Especial de Segurança de Fronteira), que conta com cerca de 100 policiais. "É notório que a criminalidade nas regiões urbanas se deve principalmente em decorrência do uso de drogas. Isso que gera o tráfico, que gera a comercialização ilícita da droga, com o escambo de objetos roubados. Tudo isso influi na geração da violência que estamos acostumados a ver na nossa sociedade. Os investimentos para a melhora do aparato tecnológico, na estrutura e nos recursos humanos, que permitam uma melhor fiscalização e impeçam a chegada da droga aqui vai impactar na diminuição da criminalidade. Mas é preciso deixar claro que a fiscalização da fronteira é atribuição da União. Então, é importante que junto com o melhor aparelhamento das polícias militar e civil venha a cobrança de que o Governo Federal faça a parte dele", destacou.

Segundo o coronel, em caso de a Polícia Federal assumir a fiscalização nas fronteiras, isso permitiria que mais policiais no perímetro urbano para reforçar segurança nas cidades.
Um outro ponto das propostas do candidatos a governador citado pelo militar é a realização anual de concursos públicos para o ingresso de novos policiais no quadro das polícias e para repor os profissionais que se aposentam. "Mato Grosso é um estado em visível crescimento e desenvolvimento. Tudo isso gera uma demanda grande de serviços públicos e, além de precisarmos repor os postos deixados vagos por aposentadoria, precisamos da complementação do recurso humano na mesma proporção do crescimento populacional do estado. Já existe uma Lei sancionada este ano que diz que a cada 300 policiais que deixam a ativa, outros 200 devem ser convocados. Então, precisamos de concursos e que pelo menos 500 policiais sejam convocados por ano", disse.
Sobre a remuneração dos policiais, o comandante admitiu que houve avanços, mas pontuou que os mesmos ainda são mal remunerados. "Houve reestruturação na carreira e os policiais hoje em dia ganham um pouco melhor. Grande parte de nossas ambições, em termos de carreira profissional, está encaminhada, mas ainda falta muita estrutura, que esbarra na capacidade financeira do estado. Eu diria aos candidatos que primeiro: a violência está entre nós e se quiserem saber das carências dos policiais e de suas famílias, que ouçam as nossas associações, que são as instituições legítimas para dizer quais nossos anseios, o que queremos para a nossa carreira", completou.
Por fim, o coronel cobrou investimentos no sistema prisional e mais empenho da classe política para tornar as leis brasileiras mais rígida contra os criminosos. "O estado tem que garantir que o cidadão em conflito com a lei possa cumprir sua pena em condições humanas e que possa se recuperar e retornar mudado para a sociedade. Mas as nossas leis são fracas, vulnerável, e isso, em grande parte, é o que permite a reincidência no crime. Temos que endurecer as leis no combate ao crime, e isso não se resolve na esfera estadual", concluiu.