cidadania
Cerca de 6 mil pessoas foram resgatadas de trabalho escravo em três anos
Criado em 2009 em Mato Grosso, projeto que visa atender estes trabalhadores, já resgatou mais 700 pessoas
09 de Outubro de 2016, 07h00
De 2013 até setembro deste ano, cerca de 6 mil pessoas foram resgatadas em condições de trabalho análogo à escravidão. Os dados são do Ministério do Trabalho.
Submetidos a jornada extenuante, ameaças físicas e psicológicas, com documentos retidos e sendo cobrados por dívidas que na verdade não contraíram, muitas vezes esses trabalhadores são resgatados em locais isolados. E as condições são incompatíveis à dignidade humana.
O trabalhador que é libertado em operações de combate ao trabalho escravo deve receber assistência emergencial, como alimentação e transporte a seu local de origem.
O Procurador do Trabalho Thiago Gurjão enumera outros direitos dessas vítimas.
“Após o resgate o trabalhador ele vai receber os direitos que seriam devidos, verbas trabalhistas. Além disso é assegurada, um seguro-desemprego. O Ministério Público do Trabalho também pode exigir uma indenização pelos danos morais individualmente sofridos por cada trabalhador”.
As vítimas têm direito a receber um salário-mínimo durante três meses. De acordo com o Ministério do Trabalho, a liberação do benefício para o trabalhador comprovadamente resgatado de regime de trabalho forçado ou da condição análoga à de escravo é prioritária e ocorre em até 12 dias.
Mais de 4.700 vítimas receberam o benefício nos últimos quatro anos. Em 2016, o Ministério do Trabalho já pagou R$ 1,1 milhão de seguro para esses trabalhadores. Segundo a pasta, de 2013 para cá, o estado do Pará foi o segundo maior em número de trabalhadores que recebeu o benefício. A Bahia ficou no topo da lista.
Geralmente, esse trabalhador vem de regiões pobres, começou a trabalhar muito cedo, tem pouca ou nenhuma escolaridade e não tem qualificação profissional, o que veda a ele as oportunidades de trabalho. É o que afirma Antônio Mello, Oficial de Projeto da Organização Internacional do Trabalho, a OIT. Ele destaca a importância do “Ação Integrada”, um projeto que desenvolve ações para escolarizar e qualificar trabalhadores resgatados.
“Esse projeto ele começa, exatamente, pela agonia de alguns auditores ficais do trabalho tinham do estado e que trabalham na superintendência do Ministério do Trabalho no estado, de repetida vezes resgatar o mesmo trabalhador de situações análogas de escravidão. Então apesar de eles fazerem um trabalho deles de conseguirem fazer a libertação, eles notavam que esses trabalhadores continuavam em uma situação de vulnerabilidade, dada a ausência de políticas públicas específicas, que faziam com que eles voltassem a buscar trabalho e acabassem mais uma vez nessa situação. Então foi aí que houve o início da articulação de algumas entidades”.
Criado em 2009, no estado do Mato Grosso, o projeto é fruto de parceria do Ministério Público do Trabalho, Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, Universidade Federal de Mato Grosso e OIT.
Mais estruturado no Mato Grosso, onde já atendeu mais de 700 trabalhadores, o Ação Integrada tem sido replicado em no Brasil. O projeto está sendo estruturado na Bahia, no Rio de Janeiro e no Ceará.